Três livros da meta de 2017 – parte 2

Anteriormente em Meta de Leitura 2017:

“Ano passado eu tive a brilhante ideia de criar uma meta de leitura com 12 livros que estavam encostados aqui na prateleira de casa. Um para cada mês, fora os outros que fossem aparecendo durante o ano. Um outro objetivo era escrever um texto para cada livro aqui no blog. 2016 acabou, eu dei conta da tarefa e fiquei muito feliz. É tão difícil finalizar uma coisa, qualquer coisa, que eu pulo de alegria quando consigo. Empolgada, em 2017 eu resolvi dificultar um pouco mais e incluí livros que acabaram exigindo uma leitura mais lenta, seja por conta do número de páginas ou das características de tal e tal obra.

O que eu vou ter que fazer é rearranjar todo o esquema, já que (1) não estava prático escrever os textos sobre os livros, (2) ninguém se importava mesmo e (3) mesmo gostando de alguma coisa, nem sempre eu tenho o que dizer sobre ela. Daí eu resolvi fazer a metade da tarefa, ou seja: vou em frente, terminando livro a livro quando conseguir, e agora, em vez de escrever um texto para cada um e publicá-lo no começo do mês seguinte, vou agrupar três livros de cada vez, escrever quando for possível e postar quando der vontade”.

(Essas são cenas do último capítulo, postado em julho).

Se eu estou dando conta da meta? A resposta é complicada. Os livros estão lidos. Mas será que fiz a melhor leitura possível, aproveitei cada aspecto de cada livro e saí transformada de cada experiência? Esta pergunta vai ficar no ar.

doutor jivago

Em julho mesmo eu finalmente terminei Doutor Jivago. Adiciono o “finalmente” porque em 2010, talvez, eu havia tentado terminá-lo mas o momento não favoreceu. Para falar a verdade não me lembro do que me fez desistir, mas o certo é que a primeira tentativa foi boa o bastante para não impossibilitar uma próxima. Agora em 2017, por alguns dias a minha leitura de Doutor Jivago coincidiu com a de Vida e Destino, e eu me lembro de ter pensado que não era muito inteligente me empenhar em dois longos livros russos que, no fim das contas, tratam de repercussões da guerra (a Primeira Guerra Mundial no livro de Pasternak, a Segunda no de Grossman) na vida de pessoas mais ou menos comuns. Isso fez com que eu comparasse os dois livros constantemente e, para a minha surpresa, Doutor Jivago perdeu por pouco, mas perdeu.

A história de Jivago é bonita e triste, e quando começamos o livro com ele ainda menino, percebemos que lá vem uma jornada que vai fazer a gente sentir de tudo. E foi mesmo uma jornada. Dura e triste de um jeito que a gente só encontra na literatura russa, mas mesmo com mais de 600 páginas, a impressão que ficou em mim foi de que nem tudo teve o tempo de que precisava. A história é bonita e vale a leitura, mas se um dia alguém te ameaçar com um revolver e te obrigar a escolher entre Vida e Destino e Doutor Jivago, pode ficar com o primeiro.

clarice contos

Em agosto eu comecei a ler Todos os Contos, da Clarice Lispector, naquele volume da Rocco que saiu recentemente. De novo uma má ideia: ter que ler num mês um livro daquele tamanho. E não era só o tamanho: contos têm uma fluidez que não é a mesma do romance. Há ocasiões em que, terminando um bem pequeno, já é necessário parar para poder absorver o que se passou. De positivo, fica a minha releitura de A Legião EstrangeiraFelicidade Clandestina (que foi livro obrigatório quando eu fiz vestibular e é uma obra que eu adoro) e também a sensação de que a leitura corrida pode (e deve, se duvidar) ser apenas um primeiro contato com uma obra. O volume já foi feito muito forte, bonito e completo para que a gente possa passar muito tempo com ele. Aconteceu de este entrar na meta porque me angustiava tê-lo comprado e sempre adiar o início. Agora, quebrado o gelo, quero ver se eu consigo reler um livro de contos de Lispector por ano. Aliás, preciso montar uma meta só para ela porque já faz tempo que li Perto do Coração Selvagem e sinto saudades.

Por falar em planos de longo prazo, sério, desde a minha adolescência eu me enrolava para começar os livros de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Sabe quando uma obra ganha todos aqueles adjetivos genéricos que acabam deixando a gente na expectativa? (Tipo: genial, importante, fundamental, obra-prima, difícil-mas-recompensador, obrigatório, incontornável, canônico, etc., etc., etc.) Hoje em dia eu estou um pouco mais escolada e não me empolgo tão facilmente, já entendi mais ou menos qual é a minha e não me desespero se deixar passar um “gigante da literatura”, mas quando eu tinha 17 ou 18 anos, uma simples menção a Em busca do tempo perdido me deixava ansiosa. Primeiro porque eu não sabia por onde começar. A resposta simples (a única resposta) é começar pelo começo, mas aqueles adjetivos encheram a minha cabeça e, sempre que a ocasião se apresentava, eu adiava um pouquinho por achar que não era a hora. Mas agora eu aprendi que a melhor hora é sempre quando o entusiasmo bater e o tempo for propício. Isso porque não há leitor no mundo, professor-doutor ou blogueiro, que consiga tirar tudo o que uma obra tem a oferecer, vai sempre faltar alguma coisa e, incompleta por incompleta, a minha leitura também vai valer. Ninguém precisa da autorização de ninguém.

no caminho de swann

Com esse espírito eu li No Caminho de Swann em setembro e tive sentimentos conflitantes. Cheguei a pensar que seria um dos meus favoritos da vida inteira, cheguei a achar que era tudo neurose de um autor recalcado pela liberdade de uma mulher. No fim, eu consegui encontrar um meio termo. Gostei muito, entendo a empolgação dos críticos e a reputação que o livro tem. No caminho de Swann é a história de um sujeito torturado por si mesmo, por seus pensamentos tortos de posse e paranoia. Uma história sobre o reflexo da nossa cabeça na imagem que a gente faz dos outros. Mas dizer só isso seria reduzir o romance. A primeira parte é irresistível: nela um menino narra sua infância na casa de verão de sua família. Os desdobramentos dessa infância são narrados com riqueza de detalhes, com um poder muito grande de criar imagens e dar vida ao texto. Eu saí encantada e achando que perdi tempo (opa, trocadilho involuntário) por não ter começado antes.

Que mais? Por hoje é só. Hoje é dia 30 de outubro e eu me declaro em dia com a minha meta. Terminei o livro de outubro na semana passada, mas vou guardá-lo para o texto de dezembro, que é tradicionalmente o mês em que a gente revê nossas escolhas. Andei pensando numa meta para o ano que vem, e acho que essa ela vai ter relação com o fim de todas as metas.

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Como Outlander entrou na minha vida

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Ainda falta muito para completar a série

Se alguém me perguntasse por que eu gosto de ler, uma resposta simples seria pensar em Outlander, de Diana Gabaldon, e na empolgação quase infantil que eu sinto em saber que ainda tenho muitos livros da série pela frente. Fui apresentada a esse universo em 2013, pelo meu marido. Não era o tipo de leitura dele, mas ele percebeu que eu poderia gostar e me chamou a atenção. As capas não eram das mais atraentes, mas quando eu bati o olho eu sabia que era grande a chance de aquela série virar queridinha no meu coração. Na época a Rocco tinha desistido de seguir publicando os livros de Gabaldon, um e outro volume apareciam em sebos, e a escassez fez os preços irem bem além do razoável. Felizmente encontrei no Skoob uma alma caridosa e desapegada querendo se desfazer d‘A viajante do tempo, o primeiro de todos.

No mesmo ano Outlander virou série de tevê. A editora Saída de Emergência (que eu acabei de descobrir que passou todo seu catálogo para a Arqueiro, no que eu imagino que não vá fazer diferença porque as duas fazem parte do grupo Sextante) aproveitou o embalo e começou a publicar edições lindas – em comparação com as antigas – que me irritaram profundamente porque eu tinha acabado de conseguir com muita dificuldade o primeiro livro com a capa da Rocco. O que fazer? Esquecer o velho e começar uma coleção do zero? Não é do meu feitio. Por obra do destino eu consegui o segundo volume da Rocco, A libélula no âmbar, mas depois disso a minha sorte acabou. Eu não tinha como conseguir a sequência inteira nas edições antigas. Deixei para lá e achei O resgate no mar com a capa da Saída de Emergência. E assim decidi ir até o fim, embaralhando as capas das duas edições brasileiras. As da Rocco podem não ser as mais bonitas, mas a edição é caprichada e resistente, coisa que eu não senti com os livros bonitinhos da Saída de Emergência.

Vencida a questão, digamos, logística, em 2014 eu li A viajante do tempo e me apaixonei por Jamie e Claire. Não consegui ler imediatamente A libélula no âmbar, porque Outlander mexe pesadamente nas minhas emoções. Eu precisava de um tempo, mas relaxei e quando eu vi 2015 havia passado sem que eu encostasse no segundo livro. Pois bem. Essa é a história de Outlander aqui em casa. Daí você pode perceber como era importante colocar A libélula no âmbar na minha meta de leitura para 2016. Não era justo que uma série tão especial passasse mais tempo em pausa.

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Outlander meio que preenche uma fresta no meu prazer de leitora. Eu tenho inveja de quem lê, por exemplo, As crônicas de gelo e fogo. Os livros são imensos e eu sei que passar tanto tempo dentro de um universo é uma das melhores sensações que um leitor pode ter. Mas eu já dei uma chance ao George R.R. Martin e não nos entendemos bem. Outlander chegou trazendo aquilo que me faltava: uma história cativante em livros colossais que não acabam nunca. Diana Gabaldon é formada em zoologia com PhD em ecologia, e o envolvimento dela com o meio natural é evidente em cada página de Outlander. Isso empresta raríssima riqueza ao universo. O cenário é a Escócia do século XVIII. A história de uma mulher com a sabedoria do século XX viajando no tempo e vivendo 200 anos antes de sua época poderia se mostrar repleta de inconsistências e improvisos, mas Gabaldon tem as artimanhas. Claire, que era uma enfermeira comum na década de 1940 e havia servido na Segunda Guerra, no século XVIII vira a maior conhecedora de plantas, raízes e remédios antigos. Nunca me senti tão imersa em uma história. Além da construção desse universo, Diana Gabaldon não tenta nos enganar com uma trama inconsistente. Além de muita pesquisa e do panorama histórico da Escócia, e mais do que o cotidiano de pessoas comuns vivendo no século XVIII, ela não deixa de lado a aventura e o relacionamento amoroso. O casal importa, as vidas deles são quase palpáveis, a trama é de angustiar e as muitas páginas correm de um jeito que eu nem sentia o tempo passando.

Em uma passagem d’A libélula no âmbar, Claire e Jamie estão procurando piolhos um no outro depois de muitos dias na estrada. A cena é ao mesmo tempo romântica, realista e ilustrativa da incondicionalidade do amor dos dois. Não consigo imaginá-la em outro livro de fantasia romântica. Esse é um dos poderes de Diana Gabaldon: estabelecer cenas e personagens que fogem do ordinário para esse gênero, e que ainda assim conseguem transmitir todos os sentimentos que não podem faltar.

Terminei o segundo livro agora e fiquei tão embevecida que não me contive. Tive que rodar a internet em busca de spoilers. Quando eu gosto muito de alguma coisa não consigo me segurar. Eu investiguei por cima e agora já sei o que acontece com Claire e Jamie em todos os livros publicados no Brasil. Quem não quiser spoilers da série inteira, fica o aviso: o texto acaba aqui, foi boa a sua companhia, se você ainda não começou Outlander não perca mais tempo.

Para quem ficou eu digo que depois de sofrer com a Claire e com o Jamie, sei que eles vão ficar vinte anos separados, vão se reencontrar e Jamie vai estar casado com outra mulher. Eles vão conseguir se unir depois de muita dificuldade, mas outros problemas surgirão, e dessa vez durante a revolução americana – todo um continente novo para Gabaldon esquadrinhar. Quando penso em tudo que ainda vou ler e viver com esse casal eu sinto um frio na barriga. Parece que tenho novamente catorze anos, e sinto o mesmo afeto que eu sentia pelos livros lidos naquela época, quando tudo era novidade. Vou precisar me organizar para conseguir ler pelo menos o próximo volume nos próximos meses, porque não vou poder ficar mais um ano distante de Jamie, Claire e Diana Gabaldon.

Maré viva

Maré viva, do casal sueco Cilla e Rolf Börjling, é um romance policial com tantos personagens que suas 512 páginas acabam totalmente justificadas. Eu estava relutante em ler um thriller sueco, principalmente depois de ter tentado a sorte algumas vezes após a trilogia Millenium, e de ter me decepcionado em todas. Também tentei algumas vezes com séries televisivas suecas e norueguesas, mas mesmo gostando muito de uma investigação policial, sempre tinha algo que me fazia desistir. Por isso, quando comecei a ler Maré viva, achava que a chance de abandonar o livro era grande, mas desta vez, mesmo não encontrando exatamente aquilo que eu buscava, percebi logo no começo que já estava comprometida com a história.

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Como explicar toda a trama sem dar um super spoiler? Tarefa difícil, afinal, praticamente a cada novo capítulo um novo personagem é introduzido, e sobre alguns deles, quanto você menos souber, melhor. Mas o que não estraga é dizer que há dois protagonistas muito carismáticos, Olivia Rönning e Tom Stilton, ela uma jovem estudante da academia de polícia e ele um velho policial “aposentado”. Olivia é enxerida e muito curiosa, enquanto Stilton parece não querer saber de mais nada do mundo policial.

Daí que ela recebe como tarefa da academia um caso que ocorreu em 1987, na ilha de Nordkoster. Ela precisa tentar descobrir algo novo sobre um crime que está perto de prescrever, e quando descobre que seu pai já morto foi um dos encarregados da investigação, a empolgação só aumenta. O parceiro do pai de Olivia era Stilton, que há alguns anos deixou a polícia e ninguém sabe onde se meteu. Se os dois se encontram ou se passam o livro atravessando tramas paralelas, só lendo Maré Viva para descobrir.

Sem ter como falar com nenhum dos investigadores principais da época, Olivia vai precisar de toda sua argúcia para resolver o mistério sobre o assassinato de uma mulher grávida, que foi enterrada até os ombros na praia, durante o fenômeno conhecido como maré viva – quando, durante as fases de lua cheia e lua nova, a maré ganha grande amplitude, muito maior que a de costume. Lá em 1987, o crime foi presenciado por um garotinho que viu, além da grávida, três pessoas na cena do crime. E é só isso que todos sabem, mas Olivia, nossa mocinha, vai conseguir muitas respostas e também vai achar muitas outras questões não resolvidas. 

Paralelamente, outros crimes estão acontecendo na cidade. Jovens estão espancando sem-tetos, e durante boa parte do livro, você tenta entender qual a relação deste caso com o que a Olivia está investigando. De novo, falar mais seria estragar: só lendo para saber.

Vale dizer que estou deixando de falar sobre muitos (repito: muitos) personagens. Como eu disse no começo, acho que é fundamental não saber coisa alguma sobre eles. Houve momentos em que, quando estava iniciando um novo capítulo e percebia que outro personagem estava surgindo, eu me sentia meio cansada.  Mas vale a pena: depois de algum tempo, tudo começou a fazer sentido. Apesar de personagens muito bem construídos, Maré viva meio que entrega facilmente o seu mistério principal, e isso pode ser um pouco frustrante. 

Mas mesmo que nenhum elemento do suspense funcionasse, o clima litorâneo sueco já teria me sugado para dentro do livro. É muito boa essa sensação de frio e chuva numa praia.  Talvez esse elemento seja comum a todos os livros da Escandinávia que eu encontrei, talvez seja uma peculiaridade que autores de lá conseguem passar. E para mim, o clima de um livro é muito importante. Depois de muitas páginas e muitos personagens, só posso dizer que quero mais Olivia e Tom Stilton. Parece que Maré viva é o primeiro de uma série, tomara que seja verdade.

Cem Verões

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Terminei Cem Verões em um dia. Não sei dizer se o livro é mesmo para se ler tão rápido, porque eu li em epub e sei que leitura em e-reader sempre engana. Mas a história é daquelas com maquinações e tensão, e essas sempre me fazem querer ler tudo de uma vez. Livro com intrigas, onde a protagonista sofre na mão de alguma amiga manipuladora e dissimulada, sempre me dá nos nervos – e aí ou eu leio tudo de uma vez ou não leio. Se tenho que interromper a leitura, eu fico o tempo todo angustiada lembrando que naquele momento, na história, as coisas não foram resolvidas e tudo conspira contra a personagem principal. Eu fico muito aflita. 

E Cem Verões tem muito disso, com uma amiga perfeitamente manipuladora, e uma mocinha totalmente ingênua. Em algumas passagens, essa falta de malícia da nossa protagonista me estressou, mas tentei entender que a história se passa na década de 1930, e por isso até que faz sentido uma mocinha virtuosa, totalmente sem malícia. Mas confesso que foi difícil. Só que o livro teve seus bons momentos. Mesmo não gostando do fim, ao terminar já fiquei com saudade. Então, já adianto que a leitura vale a pena.

Aqui vai uma sinopse rapidinha: Lily e Nick são os personagens principais, que a gente fica conhecendo em dois pontos no tempo, alternados de capítulo em capítulo: 1931 e 1938.  No passado, em 1931, vemos como Lily, uma jovem estudante privilegiada de Nova York conhece Nick, também estudante rico, mas judeu. Os dois se apaixonam e vivem um amor intenso, e claro, ser judeu naquela época não era tranquilo, por isso as coisas não saem exatamente como o esperado para o casal. Depois, em 1938, Lily está com 28 anos e solteira; Nick se casou com a melhor amiga dela, a ardilosa Budgie, e tudo parece um mistério, afinal Nick parecia odiar a mulher com quem acabou se casando. Entre alguns verões e um pouquinho de inverno, vamos descobrindo o porquê de tudo ter dado errado para Lily.

A sinopse oficial engana um pouco quando diz que Cem Verões é a história de dois casais. Realmente há dois casais, que em certo momento trocam os pares, mas Budgie e Graham, um esportista mulherengo e bonitão, são figurantes perto de Lily e Nick, os verdadeiros centros de atenção. Foi o relacionamento deles que me manteve presa ao livro.

Pra quem gosta de uma boa história de amor, Cem Verões vai ser perfeito. Sei que muitos leitores desanimam diante de um romance que não trata de acontecimentos contemporâneos mas, quanto à época em que tudo acontece, em alguns momentos eu até esquecia que estávamos nos anos 1930. Embora o pano de fundo histórico seja visto ligeiramente, a autora preferiu não incluir nada historicamente relevante, com exceção do final. Um evento real inspirou os acontecimentos finais, e, para falar a verdade, eu achei que aquilo ficou meio deslocado de todo o resto, com uma conclusão precipitada. Falo meio vagamente para evitar os spoilers, mas quem ler vai saber a que me refiro. 

Mesmo com tudo isso, Cem Verões chegou na hora certa para mim. Num ano em que me senti órfã de Mad Men, foi bom sentir o gostinho de uma história onde as pessoas fumavam sem nem achar que aquilo um dia poderia fazer mal. O melhor jeito de saber o quanto eu gostei de um livro é pelo tamanho da saudade: não cheguei a ficar de ressaca literária, mas agora, julgando os pontos bons e ruins, já estou completamente nostálgica.