Maré viva

Maré viva, do casal sueco Cilla e Rolf Börjling, é um romance policial com tantos personagens que suas 512 páginas acabam totalmente justificadas. Eu estava relutante em ler um thriller sueco, principalmente depois de ter tentado a sorte algumas vezes após a trilogia Millenium, e de ter me decepcionado em todas. Também tentei algumas vezes com séries televisivas suecas e norueguesas, mas mesmo gostando muito de uma investigação policial, sempre tinha algo que me fazia desistir. Por isso, quando comecei a ler Maré viva, achava que a chance de abandonar o livro era grande, mas desta vez, mesmo não encontrando exatamente aquilo que eu buscava, percebi logo no começo que já estava comprometida com a história.

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Como explicar toda a trama sem dar um super spoiler? Tarefa difícil, afinal, praticamente a cada novo capítulo um novo personagem é introduzido, e sobre alguns deles, quanto você menos souber, melhor. Mas o que não estraga é dizer que há dois protagonistas muito carismáticos, Olivia Rönning e Tom Stilton, ela uma jovem estudante da academia de polícia e ele um velho policial “aposentado”. Olivia é enxerida e muito curiosa, enquanto Stilton parece não querer saber de mais nada do mundo policial.

Daí que ela recebe como tarefa da academia um caso que ocorreu em 1987, na ilha de Nordkoster. Ela precisa tentar descobrir algo novo sobre um crime que está perto de prescrever, e quando descobre que seu pai já morto foi um dos encarregados da investigação, a empolgação só aumenta. O parceiro do pai de Olivia era Stilton, que há alguns anos deixou a polícia e ninguém sabe onde se meteu. Se os dois se encontram ou se passam o livro atravessando tramas paralelas, só lendo Maré Viva para descobrir.

Sem ter como falar com nenhum dos investigadores principais da época, Olivia vai precisar de toda sua argúcia para resolver o mistério sobre o assassinato de uma mulher grávida, que foi enterrada até os ombros na praia, durante o fenômeno conhecido como maré viva – quando, durante as fases de lua cheia e lua nova, a maré ganha grande amplitude, muito maior que a de costume. Lá em 1987, o crime foi presenciado por um garotinho que viu, além da grávida, três pessoas na cena do crime. E é só isso que todos sabem, mas Olivia, nossa mocinha, vai conseguir muitas respostas e também vai achar muitas outras questões não resolvidas. 

Paralelamente, outros crimes estão acontecendo na cidade. Jovens estão espancando sem-tetos, e durante boa parte do livro, você tenta entender qual a relação deste caso com o que a Olivia está investigando. De novo, falar mais seria estragar: só lendo para saber.

Vale dizer que estou deixando de falar sobre muitos (repito: muitos) personagens. Como eu disse no começo, acho que é fundamental não saber coisa alguma sobre eles. Houve momentos em que, quando estava iniciando um novo capítulo e percebia que outro personagem estava surgindo, eu me sentia meio cansada.  Mas vale a pena: depois de algum tempo, tudo começou a fazer sentido. Apesar de personagens muito bem construídos, Maré viva meio que entrega facilmente o seu mistério principal, e isso pode ser um pouco frustrante. 

Mas mesmo que nenhum elemento do suspense funcionasse, o clima litorâneo sueco já teria me sugado para dentro do livro. É muito boa essa sensação de frio e chuva numa praia.  Talvez esse elemento seja comum a todos os livros da Escandinávia que eu encontrei, talvez seja uma peculiaridade que autores de lá conseguem passar. E para mim, o clima de um livro é muito importante. Depois de muitas páginas e muitos personagens, só posso dizer que quero mais Olivia e Tom Stilton. Parece que Maré viva é o primeiro de uma série, tomara que seja verdade.

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