Três livros da meta de 2017

Ano passado eu tive a brilhante ideia de criar uma meta de leitura com 12 livros que estavam encostados aqui na prateleira de casa. Um para cada mês, fora os outros que fossem aparecendo durante o ano. Um outro objetivo era escrever um texto para cada livro aqui no blog. 2016 acabou, eu dei conta da tarefa e fiquei muito feliz. É tão difícil finalizar uma coisa, qualquer coisa, que eu pulo de alegria quando consigo. Empolgada, em 2017 eu resolvi dificultar um pouco mais e incluí livros que acabaram exigindo uma leitura mais lenta, seja por conta do número de páginas ou das características de tal e tal obra.

Mas o ano está super corrido e é claro que agora, depois da metade de julho, eu me encontro arrependida e atrasada. É que eu me embolei com alguns romances e ainda resolvi ler outros bem exigentes (em tempo, disposição, atenção…), coisas que nem estavam nos planos. E aí me esforço para lembrar que isso aqui é um hobby, um dos prazeres da vida. É tão bom achar livros empolgantes, lê-los e descobrir mais e continuar nesse ciclo infinito (nem tão infinito porque um dia a gente morre e acaba o tempo para ler e deixa tudo para trás, mas acho que me fiz entender).

Não estou querendo dizer que abandonei a meta. Um dia eu gostaria de ser outra pessoa e ter esse desprendimento para dizer que não deu e paciência. O que eu vou ter que fazer é rearranjar todo o esquema, já que (1) não estava prático escrever os textos sobre os livros, (2) ninguém se importava mesmo e (3) mesmo gostando de alguma coisa, nem sempre eu tenho o que dizer sobre ela. Daí eu resolvi fazer a metade da tarefa, ou seja: vou em frente, terminando livro a livro quando conseguir, e agora, em vez de escrever um texto para cada um e publicá-lo no começo do mês seguinte, vou agrupar três livros de cada vez, escrever quando for possível e postar quando der vontade.

Né? Que pessoa liberada, sensata, despreocupada.

Três dos que eu já terminei (os outros três da meta já lidos foram resenhados aqui, aqui e aqui):

memórias de adriano

Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, foi o melhor livro que eu li em 2017. Não acho que isso vá mudar até o fim do ano. Não foi uma surpresa porque toda a aura do romance me dizia que ele seria especial. Também foi um dos livros mais contemplativos que eu já li. Eu só conseguia ler poucas páginas por dia e em total silêncio, sem música, vozes, passarinhos cantando. O livro é como uma autobiografia do imperador Adriano. São memórias de um homem que viveu coisas perversas, mas que ainda era uma pessoa. É fácil aceitar as palavras de Yourcenar e acreditar que você está lendo os pensamentos de um imperador. O que aparece na página são as memórias de um homem poderoso. Nada parece ficar de fora: há meditações sobre guerras, namoricos, inimigos, amizades, desafios. Tudo soa verdadeiro, tudo parece real. Acho que ninguém chegaria mais perto disso do que ela. Acho incrível que Marguertite Yourcenar não seja mais comentada e lida. Memórias de Adriano é muito poético, mas de uma profundidade honesta, sem artificialidade. Nunca li nada como esse livro.

a força das coisas

O próximo livro da meta foi A Força das Coisas, de Simone de Beauvoir. Nem me lembro de quando li Memórias de uma moça bem-comportada, que é o primeiro desta série autobiográfica. Só lembro que a edição era velha e a leitura foi tocante: me identifiquei e até ri muito com os relatos dela. Um dia encontrei num sebo esse A força das coisas, novinho e por um ótimo preço. Mas desde que li Tête-à-Tête: Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre eu peguei um pouco de má vontade com a dupla. Por isso, por achar que se não me forçasse eu demoraria muito para ler novamente alguma coisa de um deles, coloquei na meta do ano A força das coisas. Nele encontramos Beauvoir madura, no alto dos seus cinquenta e poucos anos, e por isso um tanto mais soturna. Eu não consegui repetir o sentimento daquele primeiro livro. As questões políticas discutidas no livro não me impressionaram, Sartre foi a palavra mais repetida página por página, a ponto de eu pegar bronca. Mas ela é a Simone de Beauvoir e apenas ler suas reflexões sobre os romances que escreveu já faz valer a leitura. Eu daria tudo para que todo autor bom tivesse a mesma disposição para revisitar o que escreveu, e nesse volume Beauvoir nos presenteia com isso. Ah, o livro também vale para ver o Brasil pelos olhos dela, já que há muita coisa a respeito de sua visita ao Brasil e as coisas e pessoas que viu por aqui: Jorge Amado, o Rio de Janeiro, Zélia Gattai, Rubem Braga.

evelina frances burney

Na sequência veio Evelina. É o livro que consta na meta para o mês de junho, e eu só terminei por esses dias. Em algum lugar e há muito tempo eu li que Frances Burney era uma das escritoras preferidas de Jane Austen. Daí surgiu esta edição publicada pela Pedrazul. Foi uma das minhas primeiras compras pelo site da editora, há muito tempo, e só agora eu tive a decência de ler. Para quem espera algo parecido com Jane Austen: não espere. Enquanto eu lia Evelina não pude deixar de pensar: ah, sim, por isso que Jane Austen e Charlotte Brontë são tão festejadas até hoje. Elas eram diferentes e seus romances fogem muito do que era padrão. Não é o caso de Evelina. Assim como outros romances da época (a primeira edição é de 1778), esse de Burney tem uma mocinha delicada e de caráter, mas sem voz. O livro não se sustenta fora de seu contexto editorial. É a história de uma moça sem muitos recursos financeiros que se vê enrolada no meio de personagens de má índole. Num mar de gente incivilizada, uma pessoa se destaca: o mocinho. A leitura emperrou um pouco, mas a imersão foi possível, o valor histórico é grande. Evelina me lembrou de A intrusa, de Júlia Lopes de Almeida, um romance brasileiro que veio ao mundo mais de 100 anos depois. O que fica é o estudo dos costumes, essas coisas. A edição estava um pouco truncada, a diagramação estava difícil, mas vale a pena para entender o contexto que pôde gerar, poucos anos depois, os sensacionais romances de Austen e das Brontë.

Com a missão parcialmente cumprida, eu dou tchau.

O vermelho e o negro

o vermelho e o negro

Durante boa parte dos meses de março e abril eu me dediquei a O vermelho e o negro e, para falar a verdade, sei lá. Se eu não tivesse me obrigando a fazer um texto por livro da meta (a minha meta, os doze obrigatórios que estavam parados aqui em casa) nem tentaria juntar duas palavras sobre o que acabei de ler. O romance de Stendhal estava há muito tempo na prateleira, e desde sempre na minha lista mental de clássicos para ler. Eu achava que a leitura seria densa e tensa, e que os sentimentos aflorariam tão logo eu começasse a percorrer as páginas, mas não foi bem o que aconteceu. Foi uma leitura suave e tranquila, sem qualquer estardalhaço ou sacrifício, mas que me serviu para muito pouco. Acho que o verbo servir é um crime quando se fala de literatura, porque empresta um caráter utilitarista ao ato de ler, mas não posso deixar de usá-lo aqui: não é que o livro não tenha me servido para qualquer coisa posterior à leitura, não – o que me aconteceu é que a leitura não foi proveitosa. E qual é o proveito que se tira de uma leitura? Sei lá, vontade de realizar mais leituras, de pesquisar sobre o autor ou o assunto ou a época – esses seriam proveitos posteriores, mas e aqueles proveitos imediatos como a imersão total em um mundo alheio, o indescritível sentimento de estar dentro de uma sala no século XIX com móveis do século XIX, pensando como alguém do século XIX? O vermelho e o negro deve ser o livro da vida de milhares (centenas?) de pessoas ao redor do mundo, tem quase 200 anos nas costas e eu, do alto da minha falta de familiaridade com o autor, gostei mas não fui pessoalmente tocada, não encontrei o que estava buscando.

O vermelho e o negro é uma crônica dos acontecimentos históricos que se desenrolavam no começo do século XIX. Aquela lembrancinha da escola é muito bem-vinda: tem a Revolução Francesa, tem Napoleão como que sequestrando a revolução e virando imperador, daí tem uma espécie de guerra europeia de todos contra Napoleão, depois disso tem uma tentativa de restaurar a monarquia que havia sido literalmente guilhotinada – tudo isso se dá antes dos acontecimentos de O vermelho e o negro, mas sem essa colinha fica difícil entender os sentimentos que movem os personagens principais porque todos eles se comportam baseados em interesses de classe.

Julien Sorel, o protagonista, é mesquinho, ardiloso e frio. Não tem como simpatizar com um homem que dá toda a pinta de querer ascender socialmente, enquanto despreza os valores aristocráticos. Ele odeia aquela aristocracia, mas ela exerce sobre ele uma estranha atração. Ele é filho de um marceneiro e o que sobrou foi o caminho da batina, na falta de qualquer outro. Por ser muito culto ele consegue a chance de trabalhar como preceptor na casa do prefeito da cidade. Durante o tempo em que vive na casa do prefeito, Julien demonstra desdém pelos ricos e nobres e se apaixona, como não poderia deixar de ser, pela primeira dama. A paixão é recíproca. O prefeito desconfia. Essa é a primeira parte do livro. A jornada de Julien vai continuar em outro pedaço da França. Ele consegue entrar no seminário e é lá que conhece um padre com boas conexões, que o auxilia em um novo emprego: agora vai ser secretário de um marquês com ótimos contatos em Paris. Assim Julien conhece os La Mole e toda a nobreza que visita e venera esta família. Ele se sente rejeitado e ao mesmo tempo seduzido pela vida que nunca teve e nunca admitiu querer. Napoleão Bonaparte é tudo o que Julien desejava ser: alguém que veio de baixo e tomou o mundo de assalto. Mathilde, a filha do marquês, uma jovem entediada com a vida que leva, se apaixona pela frieza e indiferença de Julien – só para a gente perceber que não é de hoje essa atração que os esquisitos despertam. Depois de muito vaivém os dois estão perdidamente apaixonados. Desgraçadamente ela engravida e os planos de Julien parecem ruir. Em um rompante de loucura, ele decide cometer um assassinato e as consequências desse ato são a prisão e a guilhotina, e aí é como se ele fosse um pequeno Napoleão que esteve muito perto da glória e viu tudo descambar num fim melancólico e inevitável.

Para ser bem sincera, eu não tenho do que reclamar. Uma segunda leitura talvez me levasse a uma relação mais complexa com O vermelho e o negro, mas eu não vou tentar soterrar toda a leviandade desse meu texto com a promessa de que vou tentar me importar mais da próxima vez. Sinceramente, acho que Stendhal não precisa de mim.

Ressurreição

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Quase um mês sem texto no blog. Sabe, nem uma boa desculpa eu tenho para ter ficado esse tempinho sem escrever. Não foi o trabalho, a vida corrida etc, etc. Eu poderia dizer que março foi um mês com pouco tempo para o lazer, o que seria verdade, mas mesmo assim eu achei um espacinho para assistir a alguns filmes e séries. A leitura, sim, ficou meio parada e a minha meta dos doze livros para ler este ano virou uma bagunça. Estou na metade de O vermelho e o negro, que é o do mês de março. Mas admito que se eu tivesse me esforçado eu teria conseguido ler melhor, e ainda teria escrito aqui no blog. Então, o que faltou mesmo, de verdade, foi o esforcinho para fazer essas coisas quando o tempo aperta. Mas nada disso tem importância. Senti saudade desse layout tão organizado e funcional e cá estou, com a resenha do livro do mês de fevereiro da minha meta de leitura: Ressurreição, de Liev Tolstói.

Se eu tivesse que ler um autor pro resto da minha vida ou precisasse escolher um livro para levar para uma ilha deserta, as minhas respostas seriam Tolstói e qualquer livro dele. Ressurreição é um dos poucos romances do autor, e foi o último que eu li, não porque ele seja pior que Anna Kariênina e Guerra e Paz, mas porque só agora (na última década) saiu uma edição de respeito. Eu li Anna Kariênina pela primeira vez na edição feia e velha da Abril, uma com capa dura, vermelha, numa coleção dos grandes clássicos da literatura – sim, eu sou velha, quando eu era adolescente não se encontrava uma edição decente da Jane Austen ou do Tolstói – e mesmo que eu tenha chorado muito e amado aquele livro com todas as minhas forças, eu não queria repetir a experiência de ler um livro com tradução envelhecida ou vinda do francês. Por isso demorei tanto para ler Ressurreição. Valeu a espera, o livro é muito bom.  Agora eu tenho meus 31 anos de sabedoria – ou demência, já que meus episódios de descolamento total da realidade estão ficando mais frequentes – e senti que eu tinha mesmo o que aproveitar de um livro do Tolstói. Eu não saberia avaliar a tradução do Rubens Figueiredo, mas  segurei na mão dele e fui.

A história de Ressurreição é bem simples: uma prostituta está sendo julgada pela morte de um cliente. Ele foi envenenado e a última pessoa vista com ele foi ela, a cansada Máslova. Não tem mistério, ela está presa e a condenação é questão de tempo. Um dos jurados é Nekhliúdov, um aristocrata que percebe tê-la conhecido ainda jovem, quando ela era apenas uma criada na casa de um parente. Nekhliúdov, rico, teve um romance com Máslova, pobre, e isso resultou na mulher grávida e sozinha. Ele seguiu com a vida de nobre respeitável.

Acontece que de lá até a prostituição Máslova passou por maus bocados, e Nekliúdov sente isso assim que bate os olhos nela, na sala do tribunal. A culpa e a vontade de retratação levam-no a questionar as injustiças da sociedade em que vive, e isso faz com que ele abdique de suas terras e sua posição social.

Pelo título já é possível perceber que o protagonista busca redenção e vai passar por uma espécie de transformação depois de encarar a realidade. Isso não é exclusividade de Ressurreição. O mesmo sentimento de repúdio à injustiça já estava presente em Anna Kariênina e Guerra e Paz, mas em Ressurreição ele é mais politizado porque ataca mais diretamente as instituições e as pessoas por trás delas. Se nos outros romances encontrávamos aqueles elementos literários que seduzem pela forma ou pelo suspense,  em Ressurreição Tolstói vai secamente direto ao ponto. Se em Anna Kariênina muitas das cenas se passam dentro de casas da alta sociedade ou em jantares e festas glamourosas, Ressurreição meio que se divide entre a prisão e lugares burocráticos como o fórum. É um romance político, claro, Tólstoi diz durante todo o livro: como podemos julgar os outros e determinar quem deve passar uma vida atrás das grades?

Foi especial ler esse romance em 2017, quando a polarização política no Brasil deixa cada pessoa num lado já pré-estabelecido. Às vezes eu tinha a certeza de que Tolstói só podia ter começado o livro refletindo sobre aquela frase muito brasileira: “Tá com pena do bandido? Leva pra casa”. Porque o protagonista implodiu a vida inteira por uma criminosa, querendo casar-se com ela, quando percebeu que o que ele tinha feito também era criminoso. Quer dizer: ele ficou com pena (e remorso) e quis levá-la para casa. Mas, claro, o esqueleto político do romance de Tolstói não tem ligação direta com a especificidade dos problemas brasileiros. O que ele discute, entre outras coisas, é um tipo particular de cristianismo e os resultados da aplicação dele à vida em sociedade.

Como eu falei ali em cima, Nekhliúdov abre mão de suas terras e decide que precisa se casar com a prisioneira para reparar o erro de tê-la abandonado a uma vida de miséria. Máslova é considerada culpada pela morte de seu cliente, e por isso ela é levada à Sibéria para trabalhos forçados. O protagonista a segue, e durante esta jornada ele conhece alguns outros prisioneiros que também precisam de ajuda, e como um homem que procura redenção ele se dispõe a ajudar. Ele vai terminar esta jornada como uma pessoa diferente, mas não necessariamente redimida.

Ressurreição foi lançado em 1899, quando Tolstói já era simpático às ideias que negam a igreja, a violência e o direito à propriedade. Em cenas memoráveis do romance, o narrador questiona a hipocrisia da parafernália religiosa, os santos, os rituais infrutíferos e supersticiosos. Tolstói invalida a igreja como instituição. O juri representa o estado russo – ele mesmo criminoso e em falta com o povo, julgando-se ainda em condição de dizer o que é certo e errado. Essa posição radical faz de Ressurreição um livro mais do que especial, mas se eu dei a entender que o romance se parece mais com um panfleto político a culpa foi toda minha. Estão lá, ainda, aqueles momentos sublimes que fazem dos livros de Tolstói uma experiência transcendente. Se aquele primeiro parágrafo, por exemplo, não conseguir te convidar para a leitura, nada mais consegue.

Meta de leitura: adeus ano velho, feliz ano novo

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Olá, 2017. Pessoalmente, 2016 foi um ano bom. Eu fico até me sentindo um pouco fria e desalmada ao dizer isso mas, tirando dois terços de dezembro, quando o meu cachorro teve uma doença neurológica, para mim o ano veio e foi sem as atribulações que chocaram a todos. Foi um período esquisito para o Brasil, em que aconteceram coisas boas e interessantes para quem gosta de ver o circo pegar fogo. Não é o meu caso, mas eu acho que tive relativo sucesso em manter-me longe da solidão, da paranoia e do tesão descontrolado (cortesia de Fausto Fanti) que pairaram como uma nuvem sobre as cidades do mundo inteiro. Para isso eu tive uma ajudinha dos livros.

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Adeus, 2016

2016 foi um ano de leituras muito boas. Não foi o primeiro em que eu fiz uma meta de leituras, mas foi o primeiro em que a meta teve um sentido: eu escolhi 12 livros que estavam parados em casa, daqueles que a gente compra na neurose e joga para o fim da fila por preguiça. O objetivo era combater uma tendência que eu vejo em mim e em muita gente: comprar livros, ter compulsão por comprar livros, fazer coleção deles, tratá-los como coisinhas preciosas – aumentar a pilha. O objetivo da minha meta era diminuir a pilha. Eu li aqueles 12 dos que estavam aqui parados há mais tempo, e li outros 124. Entre estes, alguns ebooks, outros que também estavam na estante, quatro que eu li em voz alta para o meu marido (que não é cego, mas às vezes joga videogame enquanto eu leio em voz alta). Eu também comprei alguns, não vou mentir, mas foram menos de 20. Eu evitei livros físicos e guardei os lançamentos para o Kobo. Fiz um post para cada livro da meta, e ao todo foram 25 os textos sobre livros aqui no blog. Nesse quesito, fui uma boa menina. A pilha diminuiu, portanto?

Sim, mas ainda temos trabalho pela frente. Já em outubro eu começava a planejar uma nova meta para 2017. Minha primeira ideia era ler doze romances históricos brasileiros. Eu havia descoberto uns três ou quatro que me interessavam, e comecei a pensar que esse gênero é muito largadinho. Meu marido botou uma pilha e eu cheguei a esboçar uma lista, mas desisti quando percebi que teria que comprar um ou dois bem caros, e tentar a sorte em outros pela Estante Virtual. Olhei para as estantes e percebi que ainda tenho muita coisa para ler antes de ir às compras. Por isso, resolvi repetir o critério de 2016 em 2017. Catei os que mais me agoniavam da casa e fiz uma lista muito boa, uma que me deixou feliz e que faz sentido. Olha só.

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Olá, 2017

Tem três russos, dois livros da Pedrazul, um livro reportagem brasileiro, O Vermelho e o Negro naquela edição da Abril (que está aqui em casa há milhares de anos, eu acho), o primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido (que eu estou para começar desde que me entendo por leitora), Virginia Woolf, Clarice Lispector, Marguerite Yourcenar, Simone de Beauvoir. São livros que eu leria mais cedo ou mais tarde e que, com a rigidez da meta, eu resolvi ler mais cedo. Do ano passado ficam alguns aprendizados, entre eles o principal: não deixar para dezembro um livro muito longo, porque dezembro geralmente é um mês de pouca rotina, e todo mundo sabe que a rotina é muito amiga da leitura.