Como Outlander entrou na minha vida

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Ainda falta muito para completar a série

Se alguém me perguntasse por que eu gosto de ler, uma resposta simples seria pensar em Outlander, de Diana Gabaldon, e na empolgação quase infantil que eu sinto em saber que ainda tenho muitos livros da série pela frente. Fui apresentada a esse universo em 2013, pelo meu marido. Não era o tipo de leitura dele, mas ele percebeu que eu poderia gostar e me chamou a atenção. As capas não eram das mais atraentes, mas quando eu bati o olho eu sabia que era grande a chance de aquela série virar queridinha no meu coração. Na época a Rocco tinha desistido de seguir publicando os livros de Gabaldon, um e outro volume apareciam em sebos, e a escassez fez os preços irem bem além do razoável. Felizmente encontrei no Skoob uma alma caridosa e desapegada querendo se desfazer d‘A viajante do tempo, o primeiro de todos.

No mesmo ano Outlander virou série de tevê. A editora Saída de Emergência (que eu acabei de descobrir que passou todo seu catálogo para a Arqueiro, no que eu imagino que não vá fazer diferença porque as duas fazem parte do grupo Sextante) aproveitou o embalo e começou a publicar edições lindas – em comparação com as antigas – que me irritaram profundamente porque eu tinha acabado de conseguir com muita dificuldade o primeiro livro com a capa da Rocco. O que fazer? Esquecer o velho e começar uma coleção do zero? Não é do meu feitio. Por obra do destino eu consegui o segundo volume da Rocco, A libélula no âmbar, mas depois disso a minha sorte acabou. Eu não tinha como conseguir a sequência inteira nas edições antigas. Deixei para lá e achei O resgate no mar com a capa da Saída de Emergência. E assim decidi ir até o fim, embaralhando as capas das duas edições brasileiras. As da Rocco podem não ser as mais bonitas, mas a edição é caprichada e resistente, coisa que eu não senti com os livros bonitinhos da Saída de Emergência.

Vencida a questão, digamos, logística, em 2014 eu li A viajante do tempo e me apaixonei por Jamie e Claire. Não consegui ler imediatamente A libélula no âmbar, porque Outlander mexe pesadamente nas minhas emoções. Eu precisava de um tempo, mas relaxei e quando eu vi 2015 havia passado sem que eu encostasse no segundo livro. Pois bem. Essa é a história de Outlander aqui em casa. Daí você pode perceber como era importante colocar A libélula no âmbar na minha meta de leitura para 2016. Não era justo que uma série tão especial passasse mais tempo em pausa.

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Outlander meio que preenche uma fresta no meu prazer de leitora. Eu tenho inveja de quem lê, por exemplo, As crônicas de gelo e fogo. Os livros são imensos e eu sei que passar tanto tempo dentro de um universo é uma das melhores sensações que um leitor pode ter. Mas eu já dei uma chance ao George R.R. Martin e não nos entendemos bem. Outlander chegou trazendo aquilo que me faltava: uma história cativante em livros colossais que não acabam nunca. Diana Gabaldon é formada em zoologia com PhD em ecologia, e o envolvimento dela com o meio natural é evidente em cada página de Outlander. Isso empresta raríssima riqueza ao universo. O cenário é a Escócia do século XVIII. A história de uma mulher com a sabedoria do século XX viajando no tempo e vivendo 200 anos antes de sua época poderia se mostrar repleta de inconsistências e improvisos, mas Gabaldon tem as artimanhas. Claire, que era uma enfermeira comum na década de 1940 e havia servido na Segunda Guerra, no século XVIII vira a maior conhecedora de plantas, raízes e remédios antigos. Nunca me senti tão imersa em uma história. Além da construção desse universo, Diana Gabaldon não tenta nos enganar com uma trama inconsistente. Além de muita pesquisa e do panorama histórico da Escócia, e mais do que o cotidiano de pessoas comuns vivendo no século XVIII, ela não deixa de lado a aventura e o relacionamento amoroso. O casal importa, as vidas deles são quase palpáveis, a trama é de angustiar e as muitas páginas correm de um jeito que eu nem sentia o tempo passando.

Em uma passagem d’A libélula no âmbar, Claire e Jamie estão procurando piolhos um no outro depois de muitos dias na estrada. A cena é ao mesmo tempo romântica, realista e ilustrativa da incondicionalidade do amor dos dois. Não consigo imaginá-la em outro livro de fantasia romântica. Esse é um dos poderes de Diana Gabaldon: estabelecer cenas e personagens que fogem do ordinário para esse gênero, e que ainda assim conseguem transmitir todos os sentimentos que não podem faltar.

Terminei o segundo livro agora e fiquei tão embevecida que não me contive. Tive que rodar a internet em busca de spoilers. Quando eu gosto muito de alguma coisa não consigo me segurar. Eu investiguei por cima e agora já sei o que acontece com Claire e Jamie em todos os livros publicados no Brasil. Quem não quiser spoilers da série inteira, fica o aviso: o texto acaba aqui, foi boa a sua companhia, se você ainda não começou Outlander não perca mais tempo.

Para quem ficou eu digo que depois de sofrer com a Claire e com o Jamie, sei que eles vão ficar vinte anos separados, vão se reencontrar e Jamie vai estar casado com outra mulher. Eles vão conseguir se unir depois de muita dificuldade, mas outros problemas surgirão, e dessa vez durante a revolução americana – todo um continente novo para Gabaldon esquadrinhar. Quando penso em tudo que ainda vou ler e viver com esse casal eu sinto um frio na barriga. Parece que tenho novamente catorze anos, e sinto o mesmo afeto que eu sentia pelos livros lidos naquela época, quando tudo era novidade. Vou precisar me organizar para conseguir ler pelo menos o próximo volume nos próximos meses, porque não vou poder ficar mais um ano distante de Jamie, Claire e Diana Gabaldon.

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