Palpites para o Oscar

O carnaval é no próximo fim de semana. Um momento ótimo para você se divertir, torrar no sol, encher a cara, dançar e pular até não poder mais. O que mais acontece no próximo fim de semana? O Oscar! Eu gosto muito do feriado de carnaval, mas acho que o Oscar tem mais a ver com este blog aqui, não? Nos últimos anos eu tenho feito previsões (infundadas, claro!) dos filmes e atores que vão ganhar. Resolvi compartilhar meus palpites furados.

Melhor filme

Quero que ganhe: Manchester à Beira-Mar. Casey Affleck está ótimo em Manchester, mas acho que o filme vai além de um bom ator. Ele consegue falar de um tema profundo e trágico sem cair em pieguices desconcertantes. Manchester mexe com o espectador por deixá-lo desconfortável, e às vezes totalmente sem reação, quando o que era para ser só trágico se apresenta tragicômico. Foi, de longe, o meu preferido.

Acho que vai ganhar: La La Land. Pensando em todas as premiações que antecedem o Oscar, só posso imaginar que La La Land vai levar a estatueta. Eu gostei, e não posso dizer que vou ficar triste se o longa de Damien Chazelle levar uma penca de prêmios. Um filme com o Ryan Gosling sempre vai ter a minha torcida, e acho que este é a cara do Oscar. Não fiquei tão apaixonada como achei que fosse ficar, mas paciência. Agora, se Lion ou Hell or High Water vencerem eu vou ficar ofendidíssima.

Melhor direção

Quero que ganhe: Acho que vou ficar repetitiva, mas quero muito que Kenneth Lonergan ganhe. Com poucos filmes na carreira (e bem mais velho que Damien Chazelle, o favorito para esse ano), acho que este diretor merece uma chance para criar raiz na cabeça do público. Dos três filmes que ele dirigiu, assisti a dois, e os dois são bem peculiares. Digo: não são feitos no piloto automático. Os filmes são longos e discretos, e se fossem livros seriam aqueles grandes romances que acompanham um só personagem numa aventura emocional.

Acho que vai ganhar: Acho que Damien Chazelle vai ganhar. Hollywood adora um menino prodígio e Chazelle foi bem incensado já em Whiplash. Além disso, La La Land é cheio das especificidades técnicas que passam despercebidas para quem, assim como eu, não tem essas manhas. A maior qualidade do diretor, para mim, é que ele é bem jovem mas não é pueril. Isso aparece na hora de escrever, mas também na de dirigir. Eu consigo imaginar gente mais velha fazendo umas coisas muito mais bocós (hehehe, oi Zach Braff!! Oi, Sean Penn, tudo bem?).

Melhor atriz

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Quero que ganhe: Isabelle Huppert está incrível em Elle. O tom da atriz neste filme é agressivo, parecia que ela estava brincando com as  noções de comportamento de uma pessoa sensata. A sensação é de que Isabelle Huppert desafia-nos a dizer que sua conduta é errada. Eu não costumo dizer essas coisas, mas a personagem de Huppert em Elle é um tapa na cara. Se não ganhar, eu vou dizer que ela foi roubada.

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Acho que vai ganhar: Emma Stone. Ela levou todos os prêmios nos últimos meses, e acho que isso já é o suficiente para dizer que vai dar Emma Stone. Quando assisti a La La Land achei que ela estava ótima, e também achei que o diretor deu mais espaço e exigiu mais dela do que do Ryan Gosling. Mas Emma Stone é nova e ainda precisa percorrer um bom caminho até chegar à altura daquilo que Isabelle Huppert fez em Elle.

Melhor ator

Quero que ganhe: Não sei. Casey Affleck ou Denzel Washington. Na semana passada eu até escrevi aqui que torceria pelo Affleck, mas fico oscilando. Eu esperava muito de Fences, que acabou não sendo a experiência transcendental que eu achei que seria. Mas a atuação do casal formado por Washington e Viola Davis é perfeita, é sólida, é avassaladora. Eu já encarei filmes muito distantes da minha zona de conforto só porque tinham a cara do Denzel Washington. Ele já ganhou o Oscar em duas ocasiões (melhor ator e ator coadjuvante), por isso acho que, se tiver alguém em pé de igualdade com ele, esse alguém vai levar.

Acho que vai ganhar: Nesse ano, em pé de igualdade com Denzel Washington só tem Casey Affleck. Pois é, todo mundo tem falado da atuação do irmão mais novo do Ben Affleck. Eu me surpreendi muito com a intensidade dele, e com a forma com que ele e o diretor Kenneth Lonergan conseguiram fazer um estudo de personagem num tom que é incomum em Hollywood, sem muito sentimentalismo. Eu fico pensando em como é que alguém consegue fingir que é alguém que finge que está bem enquanto tenta segurar o choro. Nessas horas eu acho que atores e atrizes merecem ganhar tanto dinheiro.

Melhor atriz coadjuvante

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Quero que ganhe: Acho que é unânime, né? Viola Davis está sensacional em Fences, acho que a palavra coadjuvante não dá conta da importância da personagem dela, apesar de Denzel Washington ser mesmo o centro do filme. Isso soou contraditório, né? Mas é que o arco dela não é só complemento ao dele, mas uma espécie de contraponto. O que importa é que tudo o que se espera de uma vencedora do Oscar está ali na atuação de Davis.

Acho que vai ganhar: Viola Davis ganhou tudo, levou todos os prêmios importantes. Acho que ninguém tira dela. Naomie Harris em Moonlight? Parecia o Bruno Gagliasso naquela novela em que ele interpretava um rapaz esquizofrênico. Michelle Williams em Manchester à Beira-Mar? Eu fiquei impressionada, mas ainda prefiro a Davis. Nicole Kidman em Lion? Acho que não.

Melhor ator coadjuvante

Quero que ganhe: Michael Shannon. A definição de um coadjuvante: pouco tempo de tela e desempenho impressionante. Não é de admirar que os bons e badalados Amy Adams e Jake Gyllenhaal sejam esnobados, enquanto Shannon ganha a indicação por um detetive moribundo e destemido em Animais Noturnos. O personagem parece uma assombração, um fantasma, ou alguma outra entidade criada pela consciência de Jake Gyllenhaal, porque cada fala de Shannon só faz aumentar a bizarrice de um tipo de violência que é bastante verossímil, mas que nem por isso deixa de ser irreal. Eu acho que já era para eu ter entendido isso antes de Shannon aparecer em Animais Noturnos, mas quando ele aparece consegue emprestar para o filme uma carga de loucura que leva a história para uma outra direção.

Acho que vai ganhar: Não sei. Dev Patel, se o mundo der azar. Uma possibilidade melhor é Mahershala Ali. Enquanto ele esteve em tela, Moonlight estava muito bom. O papel de Ali alimenta toda uma tradição, nos filmes americanos, de foras-da-lei que na verdade têm o coração mole e um pezinho na espiritualidade. Acho que está entre esses dois. Só eu sei o quanto detestei Dev Patel e Rooney Mara em Lion.

Deixei a categoria de melhor roteiro original porque ainda não assisti a 20th Century Women, a de melhor documentário porque ainda me faltam três, a de filme estrangeiro porque ainda me faltam dois (mas Toni Erdmann vai ganhar!) e todas as outras porque olha a minha cara de quem sabe diferenciar edição de som de mixagem de som. Falta menos de uma semana.

 

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Manchester à Beira-Mar

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Um homem à beira da vida, esse é o Casey Affleck em Manchester à Beira-Mar. Os meus filmes tristes preferidos sempre esbarram em histórias contadas num tom quase jocoso, mas não leviano, e este filme é exatamente isso: triste de doer a alma, mas com certo humor, ou melhor: um filme com temperamento mórbido, mas leve. Acho que estou me enrolando, não? Melhor começar pela história.

Lee Chandler é um homem que vive o luto. Ele mora sozinho, trabalha como um faz-tudo numa cidade fria. No início do filme ele recebe um telefonema dizendo que seu irmão, que sofre de um problema no coração, não está nada bem. Por isso ele volta correndo à cidade natal de onde tentara fugir, mas não chega a tempo de encontrar o irmão com vida. Ele recebe a notícia da morte de forma apática, mas polida.

Lee é um homem bom e atormentado, e nós conseguimos sentir isso desde a primeira cena graças à ótima atuação de Casey Affleck. Affleck interpreta alguém que parece viver em um transe, nunca se importando com nada e ninguém, numa indiferença tão grande que ele não tenta nem exibir nem disfarçar sua tristeza. O único familiar vivo dele, agora, é o sobrinho Patrick. Vale dizer que Patrick e o tio não são completos desconhecidos e têm uma certa intimidade apesar da distância. Com o irmão morto, Lee vira o tutor do sobrinho. Só que os dois têm interesses contrários. Enquanto o tio não quer permanecer na cidadezinha que só lhe traz más recordações, o sobrinho tem uma vida social movimentada e não quer sair dali.

O motivo de Lee ter saído da cidade onde cresceu é a culpa por um acontecimento terrível do passado. O que nós testemunhamos é um homem sofrendo por várias perdas, mas acima disso atormentado pela culpa. Lee não quer a ajuda de ninguém, ele não quer ser salvo. Sua punição é sentir todos os dias que não há escapatória para o que fez. Nada de seguir em frente. O limbo onde ele vive é o castigo que ele merece. É muito triste sentir junto com o personagem a tortura que é sua vida. Na cena que eu imagino que vá ser a amostra grátis do filme durante o Oscar – quando o nome de Casey Affleck for citado como um dos concorrentes ao prêmio de melhor ator – Michelle Williams e Casey Affleck se trombam e travam uma conversa levemente inarticulada. Lee gagueja e ali o seu sofrimento é palpável. Sim, eu chorei um pouquinho, doeu meu coração de verdade ver tudo o que eles não conseguiam dizer.

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Agora que eu já assisti a 98% dos filmes que concorrem nas categorias mais importantes do Oscar, posso dizer que minha torcida é pelo Casey Affleck. Eu o conheci no ótimo Medo da verdade, dirigido pelo Affleck mais famoso. Ali a atuação dele me chamou a atenção: ele é contido fala para dentro, parece um Marlon Brando feio. Mas não acho que Manchester à Beira-Mar seja mérito apenas de Casey Affleck. Michelle Williams aparece pouco, mas a passagem que eu já citei, em que os dois se esbarram, mostra que eles trabalharam juntos. Ali há as expressões de um casal que não deu certo, naquele misto de carinho mal disfarçado e sofrimento profundo. Ela tem apenas uma chance para mostrar que está tão arrebentada quanto ele, e o resultado é a cena que é o momento alto do filme.

O diretor Kenneth Lonergan, que era um nome desconhecido para mim até o mês passado, é a figura por trás de todo o sucesso de Manchester à Beira-Mar. Assisti a Margaret, também dirigido por ele, há algumas semanas, e passei um bom tempo pensando no que tinha visto. É outro filme longo que trata de pessoas traumatizadas, com motivações que elas mesmas mal conseguem entender. O que é que mantém Lee vivo? O desejo de se autoflagelar? Depois de Margaret e Manchester à Beira-Mar eu admito que vou assistir a tudo que o Kenneth Lonergan dirigir e escrever.

Manchester à Beira-Mar é um filme sóbrio, Lee é um homem comedido em suas palavras, em seus gestos, mas o longa não toma para si a tristeza de seu protagonista, e o responsável por isso é o sobrinho Patrick, vivido por Lucas Hedges, que aparece fazendo uma espécie de contraste de lutos. É na oposição da leveza de espírito de Patrick, que acabou de perder o pai, à melancolia constante de Lee e seu luto perene que a história se costura. O rapaz traz situações que normalmente não caberiam num filme tão pesado, e isso reforça o caráter aleatório dos sofrimentos que as pessoas precisam enfrentar. Para mim esta é a pequena marca que faz de Manchester à Beira-Mar um filme especial.

Toni Erdmann

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No texto sobre Animais Noturnos eu disse que torceria por Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon no Oscar. Como deve ter dado para perceber, além de a minha torcida não servir para nada, as minhas previsões também foram uma beleza. Nem indicados Adams e Gyllenhaal foram. Já que a porta está escancarada, agora eu não preciso falar com parcimônia: Toni Erdmann vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro.

Eu digo isso do alto dos dois filmes que vi entre os indicados nessa categoria. O outro, o sueco Um homem chamado Ove, foi ruim e previsível. Já Toni Erdmann, escrito e dirigido pela alemã Maden Ade, começou e terminou num nível e num estado de espírito que são incomuns. É a história de uma mulher e um homem, pai e filha, que não parecem ter muita intimidade. Ela mora longe, em Bucareste, na Romênia, e tem um emprego bom numa multinacional que administra a parte financeira e operacional de outras empresas. Quer dizer: é a função dela estudar e estipular quantos trabalhadores vão ser demitidos e quando, ou quantas pessoas precisam ser removidas para que uma obra aconteça. Para ela o emprego é bom porque dá um bom dinheiro, mas quando a conhecemos melhor podemos perceber que ela anda meio estafada, desencantada com o que faz, como só poderia ser, solitária e perdidinha.

O pai dela é um professor de escola. Gordo, alto e fanfarrão, ele é um gigante gentil. Depois que o cachorrinho dele morre de velhice, ele viaja para encontrar a filha em Bucareste, de surpresa, e aí os dois são obrigados a conviver e aprender com suas diferenças. Claro que esse é o ponto de partida de muitos filmes, mas tem algumas coisas que deixam Toni Erdmann diferente.

A sinopse poderia muito bem ser a de um filme indie americano, não é? Eu consigo até pensar num elenco, com, sei lá, Bill Murray de pai e Kristen Wiig como a filha. Eu sempre tento a sorte com esse tipo de produção porque além de gostar muito de um Bill Murray, ou Steve Carell, ou Bill Hader ou Tina Fey, eu fico na esperança de encontrar um outro Pequena Miss Sunshine ou qualquer coisa levemente apreciável como aquele Swiss Army Man, que saiu no ano passado. Daquele filme que não é grande coisa, mas serve.

O problema é que em geral esses indies têm tantos vícios quanto os blockbusters em que todo mundo adora bater. Eu tenho até que reforçar: eu gosto tanto dos indies como dos blockbusters mas a ideia, por exemplo, de uma jornada esquisitinha que vai resultar numa espécie de iluminação ou mudança total de valores está no centro de uma centena de filmes recentes, nem todos muito memoráveis, e as esquisitices são cada vez mais padronizadas. Pense nesse Capitão Fantástico, que está rendendo a indicação a melhor ator ao Viggo Mortensen. Desde o começo ele me deu a impressão de que queria me puxar para dentro do filme pelos meus desejos de consumo ou estilo de vida: é que eles acham que quem prestigia Capitão Fantástico não é, grosso modo, a mesma pessoa que vai ver Velozes e Furiosos, e aí deixam na gente aquela impressão não de que querem contar uma história, relevante ou irrelevante, edificante ou niilista e portadora do caos, mas de que querem vender um bocado de sensações comuns a muita gente: todo mundo quer ser diferente, todo mundo quer viver uma aventura, todo mundo quer exorcizar essa sensação de que todo mundo é a mesma coisa, todo mundo quer ser peculiar. Vender esse sentimento não é exatamente a mesma coisa que ter uma história para contar, ou ter um ponto de vista ou uma sacada sobre um sentimento ou situação no mundo. Quando eu percebo que o longa fica num chove-não-molha, e quando os atores não conseguem salvar o dia com carisma ou com o talento mesmo (timing, essas coisas; eu vejo qualquer filme com a Keira Knightley, por exemplo, porque acho que mesmo que o texto seja ruim a expressividade dela vai salvá-lo), o que era para ser Pequena Miss Sunshine não chega nem perto e eu me irrito porque já vi a mesma fórmula num passado nem tão distante.

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Eu assisti a Toni Erdmann pensando no filme que ele seria se fosse americano. Seria pior. Por mais que o esqueleto dele seja comum, o que me fez atravessar as quase 2h40 foi a complexidade da relação entre pai e filha, com um monte de sacadas que eu não tinha visto em lugar nenhum, todas embaladas numa estrutura que não estava presa à fórmula do filme de jornada. Isso vem de coisas que apareciam no texto, e que faziam com que nada fosse preto-no-branco, como as sequências que se desenvolviam no trabalho de Ines (é o nome da filha, desculpa eu contar só agora); e vem de detalhes que devem ter sido compostos pelos atores, que em nenhum momento adotaram posições saturadas para montar aquelas personalidades. Falando assim essas qualidades ficam abstratas, então deixa eu contar mais do filme. Estão lá Ines, que é a filha, e Winfried, que é o pai. Ele apareceu de surpresa em Bucareste, como eu falei, e ela mal consegue disfarçar que aquilo é, no-mínimo-no-mínimo, uma inconveniência.

Eles são de gerações diferentes e têm prioridades opostas. Num filme padrão, ele estaria certo e ela errada. Afinal, é ele quem tem a chave da descoberta que ela precisa fazer: é ele quem sabe que os prazeres pequenos da vida valem mais do que dinheiro e status. Agora, se você não viu o filme, imagine essa figura. É um pai, tem uma lição a dar, tem experiência, está solitário e velho, perdeu o cachorro. Ainda por cima, Ines o destrata: diz que ele não tem ambição, que as piadas dele não têm graça. Como você imaginaria essa composição? Imagine que o ator é o Robin Williams de Patch Adams, ou seja: insuportável, pegajoso, magnânimo – tudo bem que Patch Adams não é exemplo de filme indie, mas acho que deu para entender. Como é o Winfried na interpretação de Peter Simonischek? Ele é completamente maluco, tem cara de maluco, andar de maluco e é inconveniente de verdade. O olhar de cachorro pidão mais irrita que enternece. Ele não é fácil. A filha tem toda a razão.

O que Sandra Huller faz como Ines não fica atrás. Seria simples elaborar um ar arrogante, forte e competente de mulher de negócios, e é isso o que Huller faz. O detalhe é que, desde as primeiras cenas, percebe-se que ali tem uma pessoa insegura vestida de arrogância. E eu não me lembro de esqueminhas simplórios para desenvolver essa personalidade – imagina que péssimo se, sei lá, para mostrar que ela é insegura & mulher de negócios, houvesse logo no começo de Toni Erdmann uma sequência em que ela está numa manhã agitada de trabalho e reencontra sua caixinha de música. Sem esses esqueminhas, sobra para a atriz montar o quebra-cabeças. Só no fim, bem depois, é que uma cena que envolve uma espécie de bichinho de pelúcia em tamanho família vai desenhar para a gente a fragilidade e a incomunicabilidade da moça. Mas ali é a hora da catarse.

E como Ines é difícil de alcançar, o pai dela aparece com uma cartada final para chegar à moça, e é isso o que faz com que Toni Erdmann pareça mais curto do que suas 2h40. Filha e pai discutem – ou melhor: ela dá uma bronca nele – e fica evidente que a visita surpresa não deu certo. Ela o enfia dentro de um táxi e fica segura de que o caminho dele é a Alemanha. Segue com a vida, trabalha, vai a um happy hour e lá aparece um sujeito chamado Toni Erdmann, um mentor corporativo. Quem é Toni Erdmann? Ninguém menos que o pai dela usando uma peruca e uma dentadura. A partir daí o filme e seus personagens entram num território imprevisível. Isso significa que o pai é totalmente maluco? Aonde ele vai chegar com isso? Aonde ela vai se deixar levar?

Quando o longa acabou eu percebi que se tratava, sim, de um filme de jornada. E não é apenas uma jornada interior, como acontece em muita produção que não tem o que dizer. A Romênia, que é um dos países mais pobres da Europa, não é só elemento decorativo. No trabalho de Ines para reorganizar (demitir, cortar gastos) uma empresa romena pode-se ver a tarefa alemã na União Europeia, e o filme mais de uma vez ridiculariza a arrogância corporativa, a falta de propósito (e de humanidade) do trabalho, o fardo que é toda essa distância de um ser humano a outro. Quando o pai de Ines vira Toni Erdmann, fica evidente que só o ridículo dos modos dele poderia expor o ridículo de tudo o que acontece em volta. E aí Ines pode parar e dar risada pela primeira vez em muito tempo. A gente sabe que isso ajuda.

La La Land

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La La Land é um musical que acabou de ganhar infinitos prêmios no Globo de Ouro, estrelado por dois atores que devem estar entre os maiores salários de Hollywood no momento e que, trailer atrás de trailer, deixaram o público sedento pelas músicas lindíssimas que eles cantavam e dançavam, numa bela homenagem à era de ouro dos musicais hollywoodianos dirigida e escrita por um jovem de nome badalado. Minha expectativa só poderia ser alta porque eu gosto muito de musicais. No primeiro acorde, ou melhor, no primeiro frame, eu senti que o filme seria comovente. Música, dançarinos bem ensaiados e um casal apaixonante. O que poderia dar errado?

Nada, pelo menos por um tempo. Emma Stone é uma jovem que sonha  ser atriz. Ela trabalha em uma cafeteria dentro de um estúdio de cinema em Los Angeles. Ryan Gosling é um músico que sonha ter seu próprio clube de jazz. Os dois estão longe de alcançar seus sonhos no início do filme, mas são duas pessoas românticas e apaixonadas pelo que fazem. Eles se conhecem. Em um primeiro momento parecem se odiar, mas aí a paixão vence e eles acabam se entregando. Imagine tudo isso e mais referências a clássicos do cinema, com uma excelente trilha sonora, e você vai ter imaginado La La Land com certa precisão.

A cena em que Mia (Stone) e Seb (Gosling) se apaixonam é a melhor do filme, e (agora fica claro que justamente por isso) foi muito divulgada nos trailers. Em um aceno a Cantando na Chuva, Seb gira em um poste enquanto começa a cantar que ele e Mia não têm nada em comum. Então eles sapateiam com a cidade ao fundo, um cenário ao mesmo tempo lindo e com aquela inegável cara de estúdio que aparece nos filmes das décadas de 1940 e 1950. A coreografia poderia facilmente ter saído de um musical antigo, e é espantoso ver como um grandalhão como Ryan Gosling consegue mostrar leveza, apesar da óbvia concentração, e não parecer nem um pouco estabanado durante todo o número. Foi lindo de ver e ali meu coração se encheu de amor por La La Land. Seria um dos meus filmes favoritos, estaria na lista de melhores do ano e melhores da vida. Não havia nada de corriqueiro em La La Land, apesar da história de sempre; tudo gritava que esse filme era especial e único.

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E aí a segunda metade do filme começou. Eles eram um casal, e como qualquer casal de filme grande americano, eles precisavam de algum problema para superar. Seb e Mia deixam de se entender e se separam, numa cena que parece ter sido escrita para outros personagens de tão deslocada do resto, num daqueles movimentos de roteiro que só se explicam porque… estavam no roteiro. Quando me dei conta eu estava assistindo ao terceiro ato de uma comédia romântica bem mediana.

Sem música e sem dança, e com fim do estoque de boas sacadas e inventividade, eu fui obrigada a prestar atenção em Mia e Seb. Eles são românticos e sonhadores incuráveis. Depois de muito tropeçarem por aí eles quase desistem dos seus sonhos, quase vencidos pela vida. Se você conhece bem a trama de um filme americano comercial você sabe que não é nenhum spoiler dizer que, no fim, eles conseguem vencer porque não desistem de seus sonhos. Eles persistem e conseguem tudo o que sempre sonharam. Chegam aonde queriam. Isso é contado no fim de um jeito meio infantil e preguiçoso. Foi frustrante. O diretor Damien Chazelle já tinha feito isso comigo em Whiplash. O início é impressionante, e então, como se o filme não se aguentasse até o fim, nos deparamos com personagens que são nada mais do que rasos.

No início de La La Land, a irmã de Seb diz que ele é um romântico, e que não é possível ser romântico quando se tem contas a pagar. Aquilo ficou na minha cabeça e, quanto mais o filme se aproximava do fim, mais eu percebia que o diretor queria dizer “não se deixe vencer pela vida, não seja uma pessoa sem sonhos, rancorosa e amarga,  seja um sonhador, é possível viver de arte”. Eu concordo com ele, e achei que Emma Stone quase salvou o filme quando cantou sobre isso já nos momentos finais, com um close no rosto e toda a emoção transparecendo em seus olhos. Mas Chazelle quer resolver uma oposição infantil, anacrônica e que já deu: ou você é um romântico e vive com a cabeça na lua ou você é pragmático e vive uma vida burocrática e chata. No fim das contas, a jornada de Seb não é mais do que uma tentativa de desmentir a irmã e dizer que sim, é possível ter a cabeça na lua e ainda assim pagar as contas. Nessa hora o filme me perde porque eu acho que é de todo ser humano ser tocado pela arte e pelos sonhos, e que a arte não é um meio para se chegar a um fim, ainda que ela possa pagar as contas de alguns bem aventurados pelo mundo. O que me incomoda é a necessidade de enquadrar a vocação artística de uma pessoa àquela ideia bem americana de sucesso financeiro pela força da individualidade e do talento. Qualquer um consegue citar, de cabeça, uma lista enorme de criadores geniais que morreram na pindaíba e sem reconhecimento.

Minha expectativa era alta, e por isso eu talvez tenha sido um pouco dura. Se você disser que o filme é pura poesia, nós não vamos nos entender; mas se você disser que é fofo e uma boa comédia romântica com alguns ótimos números musicais, então nós vamos nos entender muito bem. Ryan Gosling cantando City of Stars vale o ingresso.

Loving

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Eu acho que resiliência é uma das coisas mais bonitas do mundo. Quando um filme trata disso já tem a minha atenção. Loving, do diretor Jeff Nichols, é uma história de amor em que o amor já foi resolvido desde o primeiro minuto. Mildred, uma mulher negra, e Richard, um homem branco, não colocam em dúvida o que sentem um pelo outro. Quando a história começa ela está grávida, eles fazem planos para o casamento, se casam. O que eles vão precisar aguentar é o racismo institucionalizado no estado  americano da Virginia. Eles casaram em Washington, estado vizinho, enquanto na Virginia o casamento inter-racial era proibido por violar as leis de Deus – esse tipo de coisa que dá até raiva de ler.

O filme é baseado na história real do casal que conseguiu levar seu caso à Suprema Corte, assim mudando em todo o país as leis que diziam que branco casa com branco e negro com negro. Ninguém aqui precisa da minha análise política, mas todo mundo sabe que o ano de 2016 foi bem esquisito também nos Estados Unidos. Quando Loving trata de uma história que ganhou a imprensa durante a luta por direitos civis nos anos 1960, está refletindo os anos mais recentes (e bem complicados) da luta por igualdade naquele país que é tão importante para o mundo.

Isso está dito: é um filme político e uma mensagem grande. Quando passa, quando a gente já absorveu aquelas informações e sentiu o clima da época, fica a impressão de que Loving não é muito mais do que um bom telefilme. O longa é previsível na maior parte do tempo mas, se eu não dormi nem fiquei inquieta foi porque os dois atores principais, Ruth Negga e Joel Edgerton, são muito bons.

Ele está irreconhecível (literalmente: só agora, enquanto escrevo, estou ligando o nome à pessoa) como Richard Loving. Richard mal fala, é um trabalhador pouco articulado e sem gestos expansivos, mas ainda assim Edgerton e o diretor conseguem demonstrar até o processo de pensamento do personagem. Sempre que recebe uma notícia ruim, quando o caminho à frente fica complicado, Richard ou trabalha ou rumina o que aconteceu até voltar com força renovada. Isso aparece na cara do ator, e um mérito da direção de Jeff Nichols é não ressaltar essa característica a ponto de ela se tornar um tique. Quanto ao trabalho de Ruth Negga, eu fico pensando em  coisas que poderiam ter estragado o que ela fez. Não era um papel fácil. Mildred Loving começa como uma jovem doce, com uma família muito carinhosa. Aos poucos, com o passar do tempo e o acúmulo de perrengues, seria de se esperar que a atriz optasse por uma expressão mais séria. Não é o que acontece. Mesmo infeliz, Mildred parece amorosa. A doçura não foi embora e, naquelas horas em que todo mundo arrefeceria, a cara de Ruth Negga é a de uma pessoa sonhadora. Isso empresta ao filme uma profundidade que me fez pensar em como existe gente forte pelo mundo.

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Ruth Negga e Joel Edgerton

A parte boa é que Loving conta a história de gente assim e consegue evitar certos vícios. Quando eu comecei a ver o filme fiz uma espécie de pacto comigo mesma: na primeira maldade horrível, ao primeiro sinal de violência extrema, mesmo que simbólica, eu desistiria e tentaria encontrar uma comédia. Não tenho muito estômago para aguentar esses calvários que são alguns filmes hollywoodianos, ainda mais aqueles em temporada de Oscar. Eu pensei que o longa se concentraria num núcleo bom, o daqueles que vão sofrer, e num malvado, aqueles que vão causar sofrimento. Felizmente, Loving não presta muita atenção nas mentes desses últimos. Tem um policial lá, que ganha a incumbência de falar as frases mais escrotas do filme e de fazer a gente passar raiva, mas ele é só um emblema da burocracia racista e não ganha muito tempo de tela. Claro que a violência simbólica apareceu, e logo no começo, mas aí eu já havia comprado a ideia do filme e desfeito meu pacto de segurança.

Eu achei que a sacada de concentrar a vilania no racismo institucionalizado foi o ponto mais inteligente de Loving. Seria fácil colocar a lente nas pessoas, escrever cenas de perseguição em que um vizinho branco humilha ou persegue um negro; e seria verdadeiro porque isso aconteceu muito e por muito tempo. Quando, porém, a história se concentra na tralha racista que a escravidão deixou nas leis e nas instituições dos Estados Unidos, fica mais fácil entender não só o nível de perseguição que havia na década de 1960, mas também todo o longo caminho para acabar com ela nas décadas seguintes. Para demonstrar isso, os perseguidores são quase sempre anônimos. Eles são o fantasma do racismo.

Por fim, Loving é uma história de resiliência e de amor, ou de como a resiliência transforma o amor numa força inacreditável e vice-versa.

Animais Noturnos

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A sinopse poderia ser bem pequenininha: Amy Adams está lendo um romance. Boa parte da atuação dela em Animais Noturnos é reagir ao que parece ser um livro bem bom. Por sorte, ficamos sabendo o que é que está tão interessante na leitura: Jake Gyllenhaal, o protagonista do livro, vai viajar com a família e acaba num pesadelo. Numa estrada, à noite, ele é cercado por estranhos e fica quase sem reação quando sente que deveria proteger a esposa e a filha. A perspectiva da violência é o que deixa a gente, em casa, e a Amy Adams, nos sofás e na cama dela, em suspense.

Então temos duas histórias:  (1) Amy Adams lendo um livro e (2) o livro que Amy Adams está lendo. Eu acho que saber detalhes maiores que esses, antes de ver o filme, é um prejuízo e tanto. Portanto, se você chegou aqui perdidinha(o) sua missão já terminou. Para todo mundo que já assistiu a Animais Noturnos eu digo: foi legal ou não foi? Foi, né? Olha que eu não esperava muita coisa. Do  trailer eu só levei uma impressão de que esse filme seria um daqueles de cenários insípidos, todo metido a elegante, às vezes até meio minimalista. O nome do diretor não me dizia absolutamente nada, e eu só fui saber agora, via Wikipedia, que esse é aquele mesmo Tom Ford estilista da Gucci. Caramba.

Eu tinha certa dose de razão. Os cenários são meio insípidos, só que de propósito. Isso é um tema do filme. Amy Adams é dona de uma galeria de arte em Nova York. Quarentona, ela tem cara de cínica e desiludida, fala que não dorme, tem aquela pinta de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, tem uma filha crescida e um marido infiel. Ela está infeliz e a beleza ao redor só reforça essa ideia. Ela tem quadros lindos, mas uma casa meio impessoal. Um penteado que, apesar de maravilhoso, com a ajuda de maquiagem pesada esconde boa parte do rosto. Essa é ela depois de muitas desilusões, com uma espécie de máscara na cara, solitária e entediada.

Uma coisa que eu escondi de quem ainda não viu o filme (e que eu não lembro se está no trailer) é que ela não está lendo um livro ao acaso. Não. Foi o ex-marido dela quem escreveu e mandou o romance para ela, com dedicatória e tudo, e a certa altura do filme a gente fica sabendo  da história dos dois e de como essa história se embrenhou no romance que ele escreveu. Há uns vinte anos eles eram jovens e se casaram, apaixonados. Ele um aspirante a escritor, ela uma estudante bem mais idealista do que essa versão desencantada que a gente conheceu primeiro. Nessa época ela não escondia o rosto, tinha uma expressão mais direta e honesta, os olhinhos brilhavam.

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(Acho que quem gostou do filme vai concordar comigo que a atuação de Amy Adams é bem boa por conseguir ilustrar essas diferenças sem apelar para diálogos explicativos, tipo: “Hoje estou muito cansada e desiludida, mas já fui cheia de energia e esperança”. Mérito dela, mérito do Tom Ford que dirigiu e escreveu o roteiro, baseado em Tony e Susan, livro de Austin Wright).

Essa diferença entre as duas versões de Amy Adams é de cortar o coração, e os interiores insípidos têm um papel nisso. Vê-se que ela foi sufocada pelas coisas que queria para a própria vida. Enquanto ela lê a história do homem que sente que não conseguiu  proteger a própria família, ela consegue se colocar na pele do ex-marido. Ela vê, por exemplo, na violência física contada no livro uma representação da violência emocional com que ela tratou o ex. Porque afinal de contas foi ela quem traiu e arrebentou com o coração dele, lá atrás. Pela primeira vez ela tem acesso àquilo que aconteceu com eles, do ponto de vista dele. Quando ela enxerga o que fez, se arrepende, mas já é tarde: tanto para ela, que não vai encontrar a felicidade, quanto para o pai de família do livro, que não vai conseguir voltar ao passado e salvar a família. Que o ex-marido jovem seja interpretado pelo mesmo Jake Gyllenhaal que faz o pai em busca de justiça só mostra que ninguém saiu bem daquele casamento fracassado.

Mas imaginar que a história dentro da história é apenas uma metáfora pálida para o que aconteceu na vida do casal não é fazer justiça ao filme. Não é de admirar que a Amy Adams fique tão aflita ao ler o livro: a história é enervante, nela a justiça é um conceito abstrato, e o mundo que o pai de família habita é um deserto árido povoado por gente hostil. Para quem assiste a essas duas histórias fica a impressão de que, no mundo inteiro, não há um só lugarzinho aconchegante onde se encostar. Boa parte da vivacidade desse universo tem que ser colocada nas contas de Jake Gyllenhaal e de Michael Shannon, que vive um detetive empenhado e com o pé na cova – eu pagaria para ver um filme derivado só com ele, de tão bom que o personagem é.

Vou torcer para os três – Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon – serem indicados ao Oscar. Minha torcida não serve para nada, eu sei.

Os 5 lançamentos mais esperados (por mim)

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Ano passado eu selecionei quase aleatoriamente cinco filmes que eu queria muito  ver, fiz um post e esperei. Depois percebi que, dos cinco, três concorreram ao Oscar em alguma categoria. Nem todos valeram a espera, mas eu vi um por um. Agora resolvi repetir a ideia, e no chutômetro digo que pelo menos três dos que eu vou listar aqui vão concorrer ao Oscar. Se os cinco emplacarem alguma indicação, em qualquer categoria, eu venho aqui e sorteio um pano de prato, duas esponjas e um Limpol Gel. Mas, sem brincadeira: aqui vão cinco filmes em que eu já estou de olho faz tempo. Minhas escolhas são sempre uma bagunça, por isso a única semelhança entre eles é que são todos lançamentos do fim deste ano ou do começo do ano que vem.

La La Land: Cantando Estações

Eu sou muito fã de musicais. Isso vale para todos os tipos: musicais famosos da Broadway; musicais em que todos os atores são claramente dublados por cantores profissionais; musicais franceses antigos; os com muita coreografia e música; com pouca coreografia e música – não importa, eu sempre vou gostar. Também sou fã do Ryan Gosling e não tenho nada contra a Emma Stone. Em La La Land Ryan Gosling se apaixona por Emma Stone. Eu só preciso disso para querer assistir ao filme. Se você já viu os dois em Crazy, Stupid, Love sabe que o casal não tem lá muita química, mas a julgar pelo trailer de La La Land o entrosamento parece ter aumentado bastante. E com música e dança tudo fica melhor, vai. A estreia nos Estados Unidos é dia 16 de dezembro, e por aqui, se eu entendi bem, o filme chega no começo de janeiro.

Silence

Missionários portugueses viajam ao Japão do século XVI com o intuito de diminuir a violência que os japoneses convertidos ao cristianismo estavam sofrendo. O diretor é o queridinho Martin Scorsese, que baseou sua nova produção em O silêncio, de Shusaku Endo. Fui descobrir que esse é um livro importante da literatura japonesa, com tradução para  o português e tudo. Parece que mais uma vez Scorsese faz um filme para o Oscar e, pelas primeiras imagens, tudo parece ser grandioso e ambicioso. Mesmo desgostando de muita coisa do diretor, acho que já vale ver só por Silence se passar no Japão. O filme estreia em janeiro de 2017 nos Estados Unidos e, se o prestígio de Scorsese não for suficiente para ele chegar logo ao Brasil, uma indicação ao Oscar vai dar conta do recado. Pelo menos uma.

A Bela e a Fera

Como eu esperei para ver essa história com gente de carne e osso! Entre os desenhos da Disney que todo mundo viu compulsoriamente, A Bela e a Fera sempre foi meu preferido. A escolha dos atores para viver o casal protagonista só me fez ter certeza de que esse filme vai ser um sucesso. Emma Watson vai ser a bela, e Dan Stevens a fera. Pena que o lançamento está marcado para o distante março de 2017. Não vai dar tempo de cavar uma indicação ao Oscar, já posso ir cancelando o sorteio.

A Chegada

Amy Adams estrela esse filme sobre extraterrestres. No papel de uma especialista em linguística, ela será recrutada para descobrir o que significam as mensagens dos aliens e o que é que eles querem na Terra. Eu tenho uma certa zanga com a Amy Adams, e pior que nem posso escolher um filme ou personagem para reclamar. Acho que ela tem o dom de estragar tudo com aquele narizinho fino empinado. O motivo para eu esperar com ansiedade algo que tem a cara dela, além da premissa bacana, é o diretor Denis Villeneuve. Para quem não o conhece, ele dirigiu um dos melhores policiais/suspenses dos últimos tempos: Os Suspeitos (Prisoners). A Chegada já está para chegar (hehe): em novembro está por aí. Para quem costuma acompanhar a cerimônia de entrega dos Oscar na Globo, A Chegada tem cara daqueles filmes que pegam as indicações que o falecido José Wilker se entortava todo para explicar.

The Lost City of Z

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Ainda bem que eu não estou esperando em pé. A promessa desse filme ronda o mundo desde que o livro saiu. Eu li Z, a cidade perdida esses dias e estou ansiosa pelo filme (tem resenha aqui, se alguém se animar). A produtora é aquela do Brad Pitt, a trama é baseada na última viagem do Coronel Percy Fawcett ao Brasil, e dos esforços dele para encontrar uma cidade riquíssima no meio da Floresta Amazônica. Quem interpreta Percy Fawcett  é Charlie Hunnam, que é uns trinta anos mais novo do que Fawcett era quando sumiu em terras brasileiras, mas paciência. O filme ainda tem Robert Pattinson, e é dirigido por James Gray, que eu obviamente não conhecia por nome fez umas coisas bem variadas.

Pois é. Acho que nosso sorteio provavelmente não vai acontecer. Não sei usar memes direito, mas tem aquele “segue em frente, tem outros troféus”, não tem? Então ficamos por aqui.