Você não precisa de um guia para acompanhar Star Trek: Discovery

Si Vis Pacem, Para Bellum

Você estará perdendo uma das estreias mais gostosinhas de 2017 se, por algum motivo, não estiver acompanhando Star Trek: Discovery. Se o seu motivo for preguiça de ter que se inteirar a respeito de mais de 50 anos de conteúdo, preguiça de ter que começar lá de trás e ficar em dia com todas as séries e filmes e ainda ler uns livros, eu tenho uma novidade boa: não precisa, deixa isso pra lá. Foi o que eu fiz e está dando certo até agora.

Sei que há todo um exército de fãs que me desprezariam por dizer que acompanhar uma série de tevê não requer prática nem habilidade, mas também sei que televisão é sempre um produto feito para o máximo possível de consumidores. Acho que esse é o conceito maior por trás da produção de Discovery. Claro que eles precisam justificar a série como um componente da franquia Star Trek, mas eles também precisam fazê-la sobreviver num ambiente muito competitivo que oferece novidades semanalmente em vários segmentos.

Toda vez que eu me lembro disso, fico com muita raiva de sites ou cadernos de cultura que oferecem guias ou verdadeiros cursos para quem quer começar essa ou aquela franquia. Já falei disso aqui no blog quando saiu Star Wars: The Force Awakens. Evidente que ter mais informação é quase sempre melhor do que ter menos, mas há veículos de mídia que precisam que a gente se intimide para que eles possam justificar sua existência e há, também, muitos fãs que tomam para si aquilo que amam e não querem que ninguém encoste naquele objeto precioso que os ajuda a moldar sua identidade. Isso é um porre e eu sei que toda mulher que já se meteu a tratar de cultura pop já se viu na situação de ter que provar que é tão apaixonada por aquilo quanto o nerdão que sentou em cima e não quer levantar de jeito nenhum. Pior que isso: provar sua paixão não deveria ser pré-condição para nada, porque não é sinal de hipocrisia conhecer superficialmente alguma coisa (a não ser que você seja um neurocirurgião falando de cérebro, ou algo assim). Pelo contrário: é sinal de que você conheceu, se engajou ou não, e andou para frente. Nem todo mundo se apaixona perdidamente pelas mesmas coisas.

Discovery tem sido uma surpresa para mim. Como eu disse, achei que não valia o esforço de fazer uma pós-graduação lato sensu para entender o que estava acontecendo na tela, mas me dispus a ver o piloto, vi o segundo e o terceiro episódios com um pé atrás e agora, desde mais ou menos o sétimo, ando achando que a série vai entrar na minha lista de favoritos do ano. Todas as referências à série clássica ou às derivadas são laterais, quer dizer: elas não atrapalham a linha principal e o desenvolvimento da história, nem o entrelaçamento da trama. Dá para começar do zero com Discovery. Mas isso a gente percebe nos primeiros cinco minutos do piloto. O que me fez querer acompanhar para valer foi a evolução episódio a episódio.

Os produtores optaram por um caminho arriscado. O capítulo inicial e o segundo, que foram ao ar no mesmo dia, contaram praticamente uma história de origem da personagem principal. Michael Burnham é vivida por Sonequa Martin-Green – e ela, a atriz, era uma das razões a me deixar com um pé atrás: é que a personagem dela em The Walking Dead era chatíssima, fazendo tudo num tom ridiculamente dramático. Mas já no terceiro capítulo de Discovery Martin-Green me fez esquecer de TWD. Eu mordi minha língua e vi que ela é razão de, sei lá, quase metade do sucesso até agora. Michael Burnham deixou de ser chata, outros personagens rapidamente ganharam importância e o trem andou. Jason Isaacs, que interpreta o capitão Gabriel Lorca, por exemplo, tem sido o grande ator da série. Ele consegue parecer louco, dissimulado, simpático, leal, desleal, inteligente e inconsequente ao mesmo tempo. E nem tudo está nos roteiros, muita coisa vem do trabalho do ator. Saru, o oficial de alta patente que é de uma espécie esquisitíssima, é interpretado por Doug Jones, outro desses atores que se mostram capazes de carregar uma série nas costas. Tilly (Mary Wiseman), a melhor amiga da protagonista, deu muito certo como um complemento bastante humano ao jeito necessariamente frio de Burnham.

Tudo isso me faz pensar que o seriado está muito legal, e legal para quem gosta de televisão, de ver série enquanto come bolacha, não só necessariamente pra quem é fã de longa data de uma marca importante. Quando alguém fizer um daqueles textos do tipo “tudo o que você precisa para começar Tal Franquia” eu quero me lembrar de responder que preciso de um sofá, tempo livre e/ou do dinheiro para o ingresso.

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Ghost in the Shell

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Eu nem comentei aqui que acertei, sem querer e com uns quinze dias de antecedência, a escalação de Kristen Wiig para o remake americano de Toni Erdmann. Não sou o Walter Mercado, nem tenho contatos em Hollywood: é que às vezes as coisas são previsíveis no mundo. Por exemplo: quem não sabe, antes de sair de casa, tudo o que vai acontecer num filme como esse Ghost in the Shell, com a Scarlett Johansson? Assim como o mundo inteiro, eu queria ver uns tiros, uns aparatos tecnológicos e a cara da Scarlett. Fui presenteada, porém, com um filme ruim a ponto de dar raiva. O problema é que a indignação fica ainda maior quando a gente está pagando o ingresso.

Eu também fiz a minha lição de casa antes de ir ao cinema e fiquei sabendo de todas aquelas informações que os resenhistas colocam no primeiro parágrafo: do mangá pro anime, Japão, ciborgues, serei eu um ser humano ou um robô?, será que não era melhor ter uma japonesa para um papel de uma japonesa?, tudo isso. O que me empolgou foi fazer um percurso que eu já estava devendo há um tempinho. Eu nunca tinha visto Blade Runner, não me lembrava de Matrix, não conhecia o Ghost in the Shell de 1995, então tirei uns dois dias para eles e tenho que dizer, que essa espécie de jornada cyberpunk até que vale a pena. Matrix é sensacional. Os filmes de ação de hoje em dia seriam muito diferentes se não houvesse Matrix. Keanu Reeves consegue ser totalmente insosso e ao mesmo tempo ter muito, muito carisma. Já Blade Runner não me comoveu. Eu sempre fico incomodada quando um filme (ou livro ou série) tem mulher mal escrita, mas para assistir a qualquer coisa anterior à semana passada é necessário ter uma carapaça dura. Em Matrix eu tolerei, por exemplo, o fato de a Trinity ter se apaixonado pelo Neo por motivo nenhum: os sentimentos dela não importavam, importava só que ela fosse para ele um porto seguro. Paciência: as cenas de ação são irretocáveis. Já em Blade Runner, as duas mulheres, as duas androides principais, são um horror e simplesmente não há papel para as duas. Porque eu estava incomodada com isso, o clima e a ambientação não conseguiram me pegar. Nem fiquei assim tão fã de Ghost in the Shell, o filme animado de 1995, mas deixa eu falar um pouquinho melhor a respeito deste antes de chegar no da Scarlett.

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Não dá nem para dizer que a major de Ghost in the Shell é durona. Ela cumpre suas tarefas, a princípio sem hesitar. Ela reflete discretamente sobre sua condição meio humana, meio ciborgue e não me lembro de ela ter requerido a atenção emocional de outros personagens. Ela fica confusa com a própria natureza e tudo, mas quando tem que agir a impressão que deixa é de que está até um pouco maravilhada com o que pode fazer. Esses sentimentos discretos, bem como a quase total falta de conexão que a major demonstra com o resto do mundo, só fazem jogar na cabeça do espectador a ideia de que ela não é bem humana. Por causa disso, não raro a animação deixa os olhos dela bem abertos e sem vida, e as expressões intensas não são frequentes. Mas falando assim tem-se a impressão de que Ghost in the Shell pode ter alguma coisa de estudo de personagem. Eu acho que não. Eu acho que o que mais conta é a cidade, um lugar no futuro que a animação se empenha muito para construir em detalhes. É uma cidade desgraçada, de pobreza (e riqueza) material e de espírito, e é um lugar onde todo mundo poderia ser aquela mesma protagonista: todos desconectados, perdidos, vagando sem propósito. Para demonstrar isso, a cidade de Ghost in the Shell tem que ser um território estranho a quem está vendo o filme: uma parte essencial dessa experiência é que não se saiba muito bem, de partida, o que é que está acontecendo.

E aí o Ghost in the Shell de 2017 começa explicando, quase que em pormenor, onde é que estamos, quem é importante, no que prestar atenção, e quais são as lições que o filme quer tirar do que está acontecendo. Não dá, sinceramente. A major vivida por Scarlett Johansson é uma criança grande que tem que ser amparada e receber explicações – daquelas explicações que não fazem sentido em texto de filme, a não ser como um power point verbal destinado ao espectador. Isso só faz com que o esforço da atriz para parecer forte, gélida e determinada se torne patético. Nada irrita mais do que um filme em que os diálogos dizem uma coisa e todo o resto fica gritando outra. Além disso, Ghost in the Shell faz aquelas escolhas padronizadas, que dão a impressão de que todo filme é o mesmo filme: se tem um homem e uma mulher, deve haver um romance, e se tem um romance uma das partes (ou as duas) tem que ser desesperadamente superprotetora. E aí lá se vai a esquisitice da protagonista – ela não é nem humana, nem robô: é só uma mocinha de Hollywood.

Por coincidência, eu fui ao cinema no mesmo dia em que me apareceu, numa playlist, a música “Love Bites” da banda Def Leppard. Eu demorei uns trinta segundos para me lembrar de onde eu a conhecia, mas o Google ajudou. No Brasil, “Love Bites” virou “Mordida de Amor” do conjunto Yahoo e a moral da história é que adaptações são complicadas.

Stranger Things

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Ninguém vai deixar passar batido o tom nostálgico de Stranger Things, uma produção dos Irmãos Duffer. Há coisas dos anos 1980 que são menos “anos 80” do que esta série nova da Netflix. Tem só um aceno à década de 1990: a Winona Ryder. E tem também a coisa mais 2016 de todas, que é a nostalgia. Você pode ter certeza, então, de que 10 em cada 10 reviews vão falar da trilha sonora, do figurino, da atmosfera, e das tramas e subtramas que lembram os filmes daquela década que, pelo jeito, deixou saudade em todo mundo. Da minha parte, devo dizer que nada ali me tocou especialmenMENTIRA, mentira: eu queria morar numa cidadezinha pequena dos Estados Unidos nos anos 80, eu queria ter um namorado que usasse topete e jaquetinha de high school, eu queria usar calça de cintura alta numa época em que calça de cintura alta ainda não remetia à Kylie Jenner, eu queria me envolver em alguma trama alienígena/sobrenatural ou tomar uma facada no estômago depois de ser perseguida por um maluco, eu queria perder a virgindade ao som de “Africa”, do grupo Toto.

A Netflix não tem nem a cara de boba. Stranger Things apareceu lá numa sexta-feira e trouxe esse pacote de conforto que faz todo mundo querer ficar na frente da televisão. No pacote tem nostalgia, claro, mas a nostalgia em Stranger Things embala vários elementos que não são menos legais só porque viraram a marca registrada de um período. Temos uma conspiração governamental envolvendo um ser extraterrestre ou extradimensional; um fofíssimo grupo de meninos que sem querer se vê no centro dos acontecimentos; uma adolescente estudiosa e insegura que começa a namorar um rapaz popular e que vai perceber que as decisões dela acabam tendo importância para um quadro muito mais amplo do que aquele de uma vida amorosa que acabou de começar; o charme e o tédio do interior americano; o heroísmo de gente comum diante de acontecimentos extraordinários; uma menina com superpoderes. Todas essas coisas estão no pacote, e elas assim juntas, tão bem embaladinhas, com a temporada completa lançada toda de uma vez: aconteceu o que era mais provável e eu fechei os oito episódios em duas madrugadas.

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Venho dizer que não tenho arrependimentos. Um problema recorrente da nostalgia é que ela acaba servindo de pretexto para coisas bem preguiçosas. Não é raro que uma suposta homenagem se transforme em cópia deslavada e assumida, sem nada a acrescentar. Isso não acontece em Stranger Things. Claro, a gente vai encontrando referências e percebendo que o seriado todo é uma colagem dos filmes mais marcantes dos anos 1980, mas isso não quer dizer que a história pareça algo velho, ou que o desenrolar dos acontecimentos seja previsível só porque conhecemos as fontes. Pelo contrário, a trama é sedutora e se aguenta sozinha. Já no episódio inicial, um dos meninos some. O pessoal da cidadezinha não sabe, mas ele teve o azar de cruzar o caminho daquele ser de outro planeta ou outra dimensão. O que a gente não sabe é se ele morreu ou se foi levado para outro lugar, nem se o bicho era malvado ou bondoso. Para contar isso, o seriado é econômico e preciso. Não se concentra em coisas desimportantes, nem tenta dar aquelas lições de vida para enrolar a gente (oi, The Walking Dead). Stranger Things não tem personagem irritantemente irrazoável, apesar de que, claro, o que seria do cinema e da tevê se ninguém tomasse decisões ruins (Eu até falei disso em outra maratona na Netflix, se alguém se interessar.)

Um outro alento é passar todo esse tempo na companhia da Winona Ryder, que faz a mãe do menino que some. Eu sou apaixonada por ela desde Os fantasmas se divertem, mas tenho que confessar que eu cheguei a achar que ela era a pior coisa de Stranger Things, na altura do terceiro episódio. Depois fui perceber que os roteiristas haviam congelado a situação dela, enquanto cuidavam de outras coisinhas. Tudo melhorou quando ela pôde progredir. Se sozinha e isolada ela me pareceu chatinha, achei curioso como ela conseguiu uma boa dinâmica com todo mundo com quem dividiu a tela. Com o delegado, com outra mãe, mas sobretudo com os dois filhos, ela conseguiu produzir uma mistura de doçura e perseverança. Foi fácil comprar os momentos em que a personagem parecia perder a sanidade, primeiro porque a situação era de fato enlouquecedora, segundo porque Ryder parecia usar a fragilidade física a seu favor. Tipo: tem um efeito-loucura que só aparece quando se vê uma mulher magra e baixinha segurando um machado.

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De uma maneira nada espalhafatosa, a personagem dela é a cara das coisas que o cinema e a tevê discutem hoje em dia. Ryder faz uma mulher claramente sobrecarregada pela necessidade de criar os dois filhos sozinha, uma mãe amorosa e valente, alguém que vinha vencendo esse desafio até esbarrar numa circunstância sobre a qual não tem poder.

Acho que a atmosfera oitentista talvez mascare alguns dos temas de Stranger Things, mesmo que até eles sejam parte do pacote nostalgia. Winona Ryder é uma mãe em busca de um filho, a menina superpoderosa é uma criança em busca de afeto familiar, o delegado quer fazer a justiça que lhe foi negada no passado, o grupo de meninos é a verdadeira encarnação da amizade, o amor teen é uma oportunidade para que os adolescentes escolham que lugares querem ocupar no mundo. A série fala ao coração porque só trata de coisas que falam ao coração. E porque toca umas músicas tipo “Africa”, do Toto, e “Waiting for a girl like you”, do Foreigner.

Homem-Formiga

Gosto muito do Paul Rudd. Acho que já vi tudo o que tem a cara dele. Não sou dessas que acompanham as franquias da Marvel com entusiasmo, mas acabo sempre vendo o filme da vez. Homem Formiga, o filme da Marvel em que Paul Rudd aparece com tanquinho, é bem ruim mas também é muito simpático. Vai entender.

Acho que é desnecessário dar a sinopse desses filmes grandes, então eu só vou falar do que é importante pra entender o esquema das coisas. Paul Rudd é um zero à esquerda que é recrutado para ser o Homem Formiga. Quem faz o recrutamento é o Michael Douglas, inventor podre de rico; a mocinha é a Evageline Lilly – a Kate de Lost.

O Homem Formiga é ruim pois às vezes parece uma colagem de cenas genéricas de filmes de ação. Os diálogos, as dinâmicas, o arco do protagonista: tudo é muito descartável e esquecível. Tenho a impressão de que ele vai se misturar com um monte de outras coisas na minha cabeça e, num futuro próximo, eu não vou saber reconhecer qualquer cena de Homem Formiga em que o traje de super herói não apareça. Este herói, que eu não conhecia, ganhou umas características bacanas e diferentes. Por causa delas, as cenas de ação puderam ser criativas e até fofinhas. Apesar disso, são sempre engraçadinhas no mal sentido, de um jeito que você chega a não se importar com o  que está acontecendo.

Falando assim fica até parecendo que eu não me diverti enquanto assistia. Não é verdade. Paul Rudd, com aquela cara de gaiato e de menino que não cresceu, é a fonte de, sei lá, 90% da simpatia que o filme transmite. Ele segura a graça das piadas muito mais na cara de bobo alegre do que no próprio texto. Michael Douglas está em Homem Formiga para ser uma espécie de farol na escuridão. Ele aparece muito e, quase sempre, como o único bom ator em cena. Evangeline Lilly é um constrangimento só, dessa vez de novo como a smurfette – a única menina entre os rapazes todos. O vilão, vivido por Corey Stoll, é um dos outros alentos do filme. Não é por nada de especial ou diferente. Ele é o típico vilão que enlouqueceu e agora é capaz até de machucar criancinhas, mas o ator é tão bom que a gente chega a ficar feliz.

Não é nenhuma surpresa que um filme da Marvel seja capaz de ser ruim e de divertir ao mesmo tempo. Homem Formiga tem um esboço de trama de espionagem, muito recortada, infelizmente, pelas concessões que um filme desse tamanho faz porque acha que tem que fazer – pois acha que é isso que o público quer. Dessa forma tudo fica muito bagunçado. Uma pena.

O Apanhador de Sonhos – Dreamcatcher

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Imagina um filme de monstro, mais precisamente de ET, com um toque de mistério sobrenatural (pelo menos no começo), ação com direito a todo o equipamento do exército – ou o que for aquilo lá – e um toque de reflexão sobre um relacionamento como a amizade. Parece bom ou ruim? Eu ainda estou tentando descobrir. Segura aí que lá vem spoiler.

Posso dizer que se gostei, foi justamente por ter tudo isso. Mas também se não gostei, foi justamente por ter tudo isso. Parece uma salada de fruta. Acho que o filme se esticou muito, tentando contar – talvez – tudo o que acontece no livro do Stephen King. Não posso dizer realmente porque não li o livro, mas se eu pensar nos outros que eu li dele, posso dizer que há um padrão no jeito com que ele conta uma história. E isso não é uma crítica, porque eu adoro Stephen King. E nos livros isso realmente funciona. Agora nesse filme acho que não funcionou. Pode ser que nem tenha tudo isso no livro e o filme é que resolveu “inventar”.

Amigos no maior estilo Stephen King

Amigos no maior estilo Stephen King

Divagações à parte (hehe), posso dizer que o filme não funcionou por isso, pela salada e principalmente pelo fim. Acho que ficou totalmente deslocado aquele fim. Uma luta de dois ets rivais é super legal. Mas eles acharam que aquilo só valia a pena para os últimos 2 minutos, o que foi uma pena. Toda a parte do exército me pareceu tosca, assim como foram feias e desnecessária as cenas finais do Morgan Freeman no helicóptero atirando loucamente e não acertando nada. O fim foi uma sucessão de cenas sem sentido.

Agora, também posso dizer o que funcionou no filme para mim. E o que mais funcionou foi o começo, por isso não desisti logo de cara. Foi onde eu mais senti o toque do Stephen King: Maine, quatro amigos desde a infância e uma dose de bullying. A segunda parte onde os ets bebês aparecem também foi bem legal. Adoro esta ideia de um parasita sugando o ser humano e então de repente, quando a pessoa não aguenta mais ele sai. E o jeito que este ser sai sempre é a parte mais empolgante. Pela boca, rasgando a barriga, ou pela bunda? Adorei muito tudo isso. Também adorei os quatro amigos, pena que o personagem mais interessante foi o primeiro a morrer.

Alien bonitinho, né?

Alien bonitinho, né?

Vale dizer que eu vi este filme duas vezes. A primeira há alguns bons anos, e minha primeira impressão foi bem melhor do que a segunda. Mesmo assim, acho que posso dizer que mais da metade é bem legal, e isso salvou o fim e o filme todo para mim. Mas claro, podia ser melhor, bem melhor.