Cem Verões

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Terminei Cem Verões em um dia. Não sei dizer se o livro é mesmo para se ler tão rápido, porque eu li em epub e sei que leitura em e-reader sempre engana. Mas a história é daquelas com maquinações e tensão, e essas sempre me fazem querer ler tudo de uma vez. Livro com intrigas, onde a protagonista sofre na mão de alguma amiga manipuladora e dissimulada, sempre me dá nos nervos – e aí ou eu leio tudo de uma vez ou não leio. Se tenho que interromper a leitura, eu fico o tempo todo angustiada lembrando que naquele momento, na história, as coisas não foram resolvidas e tudo conspira contra a personagem principal. Eu fico muito aflita. 

E Cem Verões tem muito disso, com uma amiga perfeitamente manipuladora, e uma mocinha totalmente ingênua. Em algumas passagens, essa falta de malícia da nossa protagonista me estressou, mas tentei entender que a história se passa na década de 1930, e por isso até que faz sentido uma mocinha virtuosa, totalmente sem malícia. Mas confesso que foi difícil. Só que o livro teve seus bons momentos. Mesmo não gostando do fim, ao terminar já fiquei com saudade. Então, já adianto que a leitura vale a pena.

Aqui vai uma sinopse rapidinha: Lily e Nick são os personagens principais, que a gente fica conhecendo em dois pontos no tempo, alternados de capítulo em capítulo: 1931 e 1938.  No passado, em 1931, vemos como Lily, uma jovem estudante privilegiada de Nova York conhece Nick, também estudante rico, mas judeu. Os dois se apaixonam e vivem um amor intenso, e claro, ser judeu naquela época não era tranquilo, por isso as coisas não saem exatamente como o esperado para o casal. Depois, em 1938, Lily está com 28 anos e solteira; Nick se casou com a melhor amiga dela, a ardilosa Budgie, e tudo parece um mistério, afinal Nick parecia odiar a mulher com quem acabou se casando. Entre alguns verões e um pouquinho de inverno, vamos descobrindo o porquê de tudo ter dado errado para Lily.

A sinopse oficial engana um pouco quando diz que Cem Verões é a história de dois casais. Realmente há dois casais, que em certo momento trocam os pares, mas Budgie e Graham, um esportista mulherengo e bonitão, são figurantes perto de Lily e Nick, os verdadeiros centros de atenção. Foi o relacionamento deles que me manteve presa ao livro.

Pra quem gosta de uma boa história de amor, Cem Verões vai ser perfeito. Sei que muitos leitores desanimam diante de um romance que não trata de acontecimentos contemporâneos mas, quanto à época em que tudo acontece, em alguns momentos eu até esquecia que estávamos nos anos 1930. Embora o pano de fundo histórico seja visto ligeiramente, a autora preferiu não incluir nada historicamente relevante, com exceção do final. Um evento real inspirou os acontecimentos finais, e, para falar a verdade, eu achei que aquilo ficou meio deslocado de todo o resto, com uma conclusão precipitada. Falo meio vagamente para evitar os spoilers, mas quem ler vai saber a que me refiro. 

Mesmo com tudo isso, Cem Verões chegou na hora certa para mim. Num ano em que me senti órfã de Mad Men, foi bom sentir o gostinho de uma história onde as pessoas fumavam sem nem achar que aquilo um dia poderia fazer mal. O melhor jeito de saber o quanto eu gostei de um livro é pelo tamanho da saudade: não cheguei a ficar de ressaca literária, mas agora, julgando os pontos bons e ruins, já estou completamente nostálgica.

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