Oitava pode ser a melhor temporada de RuPaul’s Drag Race

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Eu maratonei as quatro primeiras temporadas de RuPaul’s Drag Race em 2014. Depois, por estafa, me afastei. Tinha me esquecido de como o reality é capaz de deixar marca em muitas áreas da cabeça da gente: quando assisto, eu saio falando expressões que as drags falam, partes do meu senso de humor que eu nem sabia onde se escondiam aparecem e, talvez o mais legal, tomo conhecimento de um universo que é muito distante do meu ao ver pela tevê pessoas que se expressam de maneiras que jamais me ocorreriam. Deixa eu me explicar: sou tímida a ponto de não saber dançar. A última coisa que eu quero, quando tô fora da minha casa, é ser o centro das atenções. Nunca, nunquinha. Com Drag Race eu pude descobrir um negócio que eu achava que sabia, mas nunca tinha sentido de uma maneira tão…viva: que o corpo da gente (e o que a gente transmite com ele) além de expressão, claro, no sentido de comunicação, é também expressão artística. Que a partir disso andar por aí é meio que uma performance. Como diz o RuPaul: We’re all born naked and the rest is drag.

Tinha esquecido disso tudo. A quarta temporada acabou sem que eu conseguisse me apegar a ninguém. Daí voltei, aos poucos, no mês passado. Pulei a quinta e assisti a sexta. Adore Delano ganhou um espaço no meu coração que só aumenta quando eu me lembro da risada dela, e não tem como não gostar de Bianca Del Rio. Acabei desenvolvendo uma queda forte pela Milk. Melhor dizendo: pela Milk e pelo Milk. O episódio em que as drags gravaram o clipe de Oh No She Betta Don’t deve ser o meu preferido de todos os tempos. No embalo, vi a quinta e a sétima (Ginger Minj <3, Pearl <3, Katya <3), e dei a sorte de pegar, desde o primeiro episódio, a oitava temporada, que é a corrente. E deixa eu falar: está muito boa, com potencial para ser a melhor de todas.

Eu vivia repetindo que a as duas primeiras edições são insuperáveis. Primeiro por causa de Ongina, Tammie Brown e Nina Flowers, e Tyra, Raven e Jujubee, e depois porque, no começo, além de ter um orçamento claramente menor, o reality não investia tão pesado em momentos forçadinhos e dramas pessoais. Mas isso é besteira, eu estava errada. Agora acho que, mesmo flertando com certa pieguice aqui e ali, os dramas pessoais dos participantes são importantes para estabelecer o principal recado que RuPaul’s Drag Race tem a passar, muito bem condensado e expresso num dos melhores bordões de RuPaul: If you can’t love yourself, how in the hell you gonna love somebody else?

Amém, antes de mais nada. Depois, preciso dizer que, se você chegou até aqui e nunca viu Drag Race, não precisa necessariamente começar do começo – apesar de a Netflix ajudar tendo, se eu não me engano, cinco das primeiras seis temporadas no catálogo. Todo ano RuPaul conta, basicamente, a mesma história. Tirando exceções marcantes, as drags também têm perfis semelhantes. A graça está na criatividade delas, na variedade das expressões artísticas que as participantes precisam ter para vencer o programa, no humor com um pé e meio no nonsense, que parece refletir bastante a personalidade de RuPaul, uma figura pública sem igual. Poxa, ele é a encarnação da elegância, montada ou não. Ele parece aliar uma vaidade que só o amor próprio consegue trazer a um senso de despretensão que o permite não se levar a sério – isso é meio que uma alquimia. Vê-lo em tela já é uma experiência que vale o seu tempo.

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Tá. Mas e a oitava temporada? A novidade é que agora o programa parece saber cada vez melhor de sua capacidade de influenciar as redes sociais e de fazer tendência. Numa entrevista recente (muito boa, mas perdi e vou ficar devendo o link) RuPaul fala que as drags mais jovens, chegando agora para as edições mais recentes, cresceram sob a influência do programa. Por isso, o Drag Race está mais consciente das qualidades que tem, a edição está infinitamente mais ágil se comparada à dos primeiros anos, e, como acontece em todo reality show, os participantes ganharam, com o passar do tempo, muita consciência do que precisam fazer para vencer. A produção não ficou atrás e já no segundo episódio deixou todo mundo de queixo caído.

Se você está procurando um reality que divirta demais, que te dê participantes carismáticos a ponto de merecerem o seu tempo, e que entregue certa catarse de vez em quando, bom, eu arrisco dizer que você não vai encontrar nada mais empolgante e absorvente que a oitava temporada de RuPaul’s Drag Race. Como não dá para assistir tudo o que surge na televisão, a medida que eu uso para saber se um programa vale a pena ou não é o tempo que um determinado capítulo fica voltando à cabeça. Se eu vejo alguma coisa e depois nem volto a pensar no assunto, decido nem perder meu tempo com o próximo episódio. No caso de Drag Race, ao lavar a louça num dia desses, eu me peguei dizendo para os pratos engordurados que tinham ficado por último num cantinho da pia: “Now bring back my girls”.

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