Para todos os garotos que já amei

Sabe essa coisa de ressaca literária? Quando um livro é tão bom que estraga tuas próximas leituras? Eu sempre tenho isso. É uma média de um bom para cada três ruins. E aí quando chega um livro muito bom, o muito bom anterior acaba sendo “esquecido”. Mas não foi o que aconteceu com Para todos os garotos que já amei. Esse eu li em maio, antes dele foram uns muito bons e depois encontrei outros também muito bons. Mas esse livro! Esse é especial.

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Pode ser que algumas pessoas tenham lido e tenham achado que era mais do mesmo. Pode ser que tenha passado reto por muita gente, mas pra mim foi uma coisa de afinidade pessoal. Para todos os garotos que já amei é como uma caixinha que reúne tudo o que eu mais gosto numa leitura. Tem muito romance, tem uma protagonista inesquecível e não tem enrolação.

Acho que os primeiros livros que lemos na vida são muito importantes. São eles que vão fazer a gente pegar gosto pela leitura, por isso, mesmo que depois a gente comece a ler outras coisas, sempre vamos voltar para aquelas leituras iniciais. Pelo menos é assim comigo, e por isso é tão importante falar em afinidade quando digo que Para todos os garotos que amei é perfeito. Eu li muito romance de banca e Sidney Sheldon na minha pré-adolescência, por isso sou tão fascinada por romance – não o gênero literário, romance, mas o tipo de intriga amorosa que atende pelo mesmo nome. Só que isso é assunto para outro post, neste aqui eu só queria dizer que um livro com romance, e bem feitinho, é a leitura perfeita para mim. Por que eu sempre vou buscar aquelas características que me fizeram começar a gostar de ler ficção, mas claro, minhas leituras mudaram e eu acrescentei muita coisa ao meu conjunto de preferências (acho que vai um pouquinho de amadurecimento aqui). Por isso a importância de um romance gostoso e cativante, mas ao mesmo tempo bem feitinho e não apenas água com açúcar.

Uma das cartas da Lara Jean

Uma das cartas da Lara Jean

Quando eu leio Jenny Han fico pensando que ela também passou pelo mesmo tipo de leitura que eu passei. Tenho vontade de sentar com ela para conversar sobre “nossos” livros preferidos. Ela não menospreza uma boa história de amor, mas principalmente, ela não menospreza a leitora (ou o leitor). Os personagens são todos bem construídos, não perdendo um pouco uma veia caricata: mas eles nunca são um monte de clichês.

 

Falando rapidamente sobre a história: a protagonista, Lara Jean, vive com as duas irmãs, Margot e Kitty, e o pai viúvo. Eles formam uma família americana de ascendência coreana – o que já é bem legal, pois a Jenny Han também tem origem asiática. Margot, a irmã mais velha e a responsável pela casa, vai fazer faculdade em outro país, e por isso a família entra em um momento delicado, de mudanças. Só isso já seria muito interessante mas, claro, não podemos esquecer dos garotos. Josh, namorado de Margot, e Peter, o centro das atenções na escola de Lara Jean. Esses dois são os principais, são garotos que ela gostou em algum momento da vida (sim, ela teve mais do que uma simples quedinha pelo namorado da irmã) e para quem ela escreveu cartas dizendo tudo o que sentia. Acontece que ela não tinha a menor pretensão de enviar essas cartas, que ficavam bem escondidas no quarto. Claro que, por algum motivo, elas acabam indo parar nas mãos dos meninos (há outros além de Josh e Peter, mas não importam tanto) e isso faz com que boa parte da história se desenvolva.

Esperando ansiosamente pela continuação

Esperando ansiosamente pela continuação

O livro é isso. Lara Jean passando pelas adversidades do amadurecimento, tendo que ser a nova responsável pela casa, com uma boa dose de problemas amorosos. Olhando rapidamente, poderia ser mais do mesmo, mas assim que você lê Jenny Han pela primeira vez, você nota que mesmo com ela havendo escrito uma obra de apelo comercial para um público jovem – por isso tem o menino popular da escola e o namorado charmoso da irmã – ela não aposta tudo o que tem em fórmulas conhecidas. É muito comum eu esbarrar em um livro juvenil que tem uma fórmula pronta. E não é só a fórmula para a protagonista. É para tudo, desde os diálogos até o cenário. A Jenny Han consegue escrever um livro dentro da categoria YA (ou Young Adult, pelo menos é o que diz o Goodreads…) mas sem ficar presa nisso. Essa mistura de sinceridade com alguma outra coisa eu também senti com a Rainbow Rowell – mas a RR fica para outro post. Essas duas escritoras parecem juntar todo o repertório delas na hora de montar seus personagens. Isso me empolga tanto. Saber que tem escritoras por aí que parecem consumir coisas tão variadas, conseguindo por isso dar vida aos personagens, fazer com que se transformem em pessoas que a gente ou já conheceu ou quer muito conhecer.

                          Lara Jean e Peter K. ilustrados pelo tumblr siminiblocker

Para mim isso é um livro perfeito. Um livro lido em um dia, mas que vai ser relido muitas vezes ainda. Vai virar parte de mim. O tipo de leitura eterna. Um livro que faz você não se sentir enganada por tê-lo comprado. É como um contrato invisível da escritora com você, onde ela diz: “Pode ler que as coisas aí dentro são sinceras, não são apenas pesquisa de mercado e uma tentativa de surfar em uma tendência”. É isso que faz Para todos os garotos que já amei e Jenny Han tão especiais. Dá para dizer que o livro é para todas as garotas que já amaram.

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