Minhas melhores séries de 2016

Quantas séries horríveis a gente é obrigada a ver até topar com uma nova Mad Men? Muitas. Nos últimos dois anos, ainda por cima, eu tenho participado do Projeto Fall Season no Banco de Séries, isto é: eu me obrigo a ver o maior número de estreias possível. E no que isso resulta? Não chega a dar úlcera, mas sobe aquele ceticismo toda vez que alguém fala em “era de ouro da televisão”. Pois é, Seinfeld e Mad Men não aparecem todo dia, mas a minha sorte é que eu me contento com pouco. Eu paro e vejo qualquer coisa: se tiver um casalzinho para shippar, se houver um serial killer à solta, se eu gostar de uma atriz ou ator, ou se a produção não tiver nada disso, mas me prender por alguma razão que deve estar soterrada lá no subconsciente.

Ao longo do ano, eu fiz posts sobre várias séries de que eu gostava à época, mas que depois acabaram me decepcionando. Isso não me impediu de conseguir separar uma listinha das coisas que eu vou guardar no coração. Tenho que avisar que algumas delas não vão ter continuação, porque não tinha mesmo o que continuar, e que, claro, as que eu acompanho há bastante tempo, como Grey’s Anatomy e The Affair, embora sejam pontos altos do ano, não vão aparecer aqui porque seria redundante. Se você não assiste a Grey’s Anatomy talvez já seja muito tarde para começar, mas se você ainda não começou The Affair o azar é seu. E ah, quase me esqueço: assim como na lista dos filmes, aqui também não constam só produções deste ano. É o meu 2016, oras.

Olive Kitteridge

É uma pena que tão poucas pessoas tenham visto, porque esta minissérie é incrível. Eu acho que Olive Kitteridge tem o nível daquelas séries que todo mundo gosta de incensar. É da HBO, tem atores fantásticos e, ei, eu já escrevi sobre ela aqui.

Outlander

Depois de começar a ler os livros o próximo passo era a série. Eu já imaginava que iria gostar, mas não tinha ideia de que Outlander viraria favorita. Essa série é injustiçada e, se o mundo fosse um lugar bom, todos seriam obcecados por Claire e Jamie. Não entendo o descaso, principalmente agora que a primeira temporada está disponível na Netflix. Até aqui a produção é bem fiel aos livros, e logo se vê que o orçamento não é dos mais modestos. Por causa disso,  a qualidade de cenários e figurino é de encher os olhos.

O.J. Made in America

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Foi em 2016 que estrou American Crime Story: The People vs. OJ Simpson? Foi. Eu confesso que não tive boa vontade com a série, que depois foi super premiada e tudo. Passou sem que eu desse bola. Mas a minha curiosidade sobre o caso dos assassinatos de O.J. Simpson estava intacta. Foi assim que eu descobri O.J. Made in America. É uma série documental, que eu vi em cinco capítulos, mas que estreou como filme no Festival de Sundance. Especula-se que vá disputar o Oscar de melhor documentário, e tem toda a discussão de “ué, mas é série”, “ué, mas é filme”. O importante é lembrar que O.J. Made in America não trata apenas dos crimes que o ex jogador da NFL cometeu, mas elabora, lá de trás, todo o contexto que fez desse caso um dos mais célebres da história dos Estados Unidos. O seriado consegue esmiuçar o racismo no judiciário americano e intercalar a história do país, na segunda metade do século XX, à ascensão e queda de um sujeito que era um mito, e que continuou sendo um tipo de mito mesmo depois de ter pisado na bola.  (“O.J. Simpson pisou na bola”: este é o maior eufemismo da história do blog).

Pitch

Já começo dizendo que não entendo nada de beisebol. Sempre quis saber um pouco mais, mas sempre desisti sem nem entender o básico. Foi mais ou menos assim que tentei aprender a tocar piano quando era criança: quando vi que para tocar era preciso ler teoria musical, a preguiça falou mais alto. Como tirar da ignorância total alguém que tem certo interesse por um assunto? Com a televisão, é claro, o veículo mais educativo que há.

A boa notícia é que a primeira temporada de Pitch já acabou, ultrapassou e muito as minhas expectativas, trouxe o OTP mais empolgante de 2016, e me deixou aqui ansiosa para saber se a Fox vai dar o sinal verde para uma segunda temporada. A má notícia é que eu ainda não entendo nem quem é a bola numa partida de beisebol. Claro, o esporte é um pano de fundo muito importante em Pitch, mas a série é sobre relacionamentos, superação, amadurecimento, essas coisas com que todo mundo que não tem o menor interesse por beisebol pode se identificar. Ginny Baker é a primeira mulher a conseguir jogar na liga principal, e aí não só a vida dela vira de cabeça para baixo, como  haverá reviravoltas em todas as coisas que envolvem uma mulher num ambiente extremamente masculino.  A série é muito bem feitinha, mesmo que dê uma leve escorregada de vez em quando, e vale muito a pena acompanhar Ginny Baker nos problemas, que não param de surgir quando você é desafiada não só pelas dificuldades de um esporte de alta performance, mas também pelo preconceito e tolice geral do mundo.

Black Mirror

Em 2016 todo mundo viu a terceira temporada de Black Mirror. A série virou meme e tudo, e eu não posso negar que também fui uma adepta tardia. Eu já sabia de Black Mirror, mas tinha sido vencida por minha resistência a qualquer série que não mantenha os mesmos personagens em todos os capítulos. É que eu gosto de me apegar, e se isso não for possível eu nem começo. É claro que eu estava errada, minha implicância foi vencida pelo hype e eu embarquei junto com todo mundo. E  o que isso me rendeu? Não sei. Tristeza? Um estado de torpor em que eu me sentia um robô e percebia que todos à minha volta estão condenados pela tecnologia, que no fim das contas vai nos levar (ou já nos levou) a um estado totalitário? Sim. Bem isso.

Angie Tribeca

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Mas a vida não é só vontade de morrer. Angie Tribeca teve duas temporadas e ainda bem que uma terceira já foi encomendada. É uma comédia de vinte minutos para rir muito. Se você costumava assistir a Corra que a polícia vem aí na Sessão da Tarde, precisa dar uma chance a Angie Tribeca. Criada pelo casal Nancy e Steve Carell , a série parodia todos os vícios de filmes e séries policiais com humor nonsense. Angie (a Rashida Jones) é a policial durona que precisa resolver crimes complicadíssimos ao mesmo tempo em que tenta equilibrar a vida amorosa com seu parceiro/namorado. Depois de passar pelas duas temporadas de Angie Tribeca, não tem como não ver CSI (ou mesmo uma estreia desse ano, como Frequency) e não dar aquela risadinha. Além de tudo, o elenco é muito bom. Tem um cachorro policial, sentadinho em sua mesa e tudo, conferindo umas coisas no computador. Não tinha como ser ruim.

E é isso. Para fechar 2016 só faltam os livros.

 

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