Os pilotos da fall season 2016

A fall season mal começou e eu já estou cansada de tantos pilotos desnecessários e sem futuro. Como eu já falei em outro texto, todo ano eu gosto de acompanhar as séries que começam no início de cada estação. O outono é a melhor época, geralmente recheado de séries que querem vir para ficar. Mas 2016 está difícil. Ainda tem muita coisa por estrear, e eu pretendo continuar firme e forte, mas já fico um pouco sufocada por ver um piloto atrás do outro, e então começo a lembrar que Piloto é um dos cachorrinhos da minha mãe, que eu morro de saudades dele, e que não faz sentido dar o nome de Piloto a um cachorrinho. Mas ninguém tem nada a ver com isso. Vamos resumir e comentar com bastante irresponsabilidade e ligeireza aquilo a que pessoas dedicaram suas vidas, carreiras e seus esforços mais sinceros? Sim.

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Mary+Jane

A primeira bomba que me apareceu foi Mary+Jane, da MTV. A sinopse não é muito animadora e imagino que deve ter afastado muitas pessoas com mais bom senso do que eu. Jordan e Paige são duas amigas que querem se firmar na venda de maconha, mas precisam lidar com os imprevistos do negócio. Parece bom? Os lobistas do crescente mercado americano de cannabis acharam que era uma boa. Mas Mary+Jane tem diálogos toscos e personagens desprovidas de carisma. Os produtores tentaram alguma coisa parecida com Broad City, mirando na direção de um pessoal um pouquinho mais novo, só que nada flui bem. E eu falo isso com a propriedade de quem acompanhou todas as temporadas de Awkward, quer dizer: não desgostei só porque deixei de ser teen faz tempo.

Ainda no tema maconha (que, por algum motivo que me escapa, a indústria do entretenimento parece achar muito interessante) temos High Maintenance. O protagonista é chamado de The Guy. De bicicleta por Nova York, ele leva seu produto para todo tipo de cliente. A ideia era razoável, e eu até gostei do piloto, mas no segundo episódio percebi que a história não focaria nos mesmos personagens, e que a cada capítulo seríamos apresentados a alguém com uma nova neurose. Com tantas séries para ver e com tão pouco tempo, desisti de High Maintenance só porque tenho uma certa implicância com esse formato.

StartUp foi o piloto seguinte. Admito que, mesmo com seus probleminhas, esse quase me pegou. Com Adam Brody e Martin Freeman no elenco, eu nem precisei me ligar muito na trama que o piloto apresentava. Mas eu sei que existe uma trama. Deixa eu tentar explicá-la. Adam Brody é um baixo executivo do ramo da informática (que coisa mais velha para se falar: o ramo da informática) e ele está um pouco chateado com o trabalho. Aquela coisa: ele ganha dinheiro mas não é feliz, o pobrezinho; ele ganha dinheiro mas não se sente realizado; ele quer fazer alguma coisa pelo mundo; ele quer fazer a diferença. E aí ele conhece uma jovem desenvolvedora, uma hacker, uma guria que realmente saca das internets, e ela tem um projeto em que ninguém bota fé, a não ser ele. O que acontece (vamos lá, me acompanhe) é que (1) ela precisa de dinheiro para começar um empreendimento capaz de mudar o mundo, (2) ele encontra esse dinheiro mas (3) esse dinheiro tem uma história complicada que envolve o Martin Freeman transando no banheiro numa cena altamente constrangedora em que a veia da testa dele parece que vai saltar na cara da gente. StartUp tenta ser uma sub-Breaking Bad que entrou na onda de Mr. Robot. Talvez vingue. Caso encorpe, dá para voltar a acompanhar.

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Better Things

Better things foi a melhor coisa que apareceu nesse outono americano. Louis C.K. e Pamela Adlon são os criadores da série produzida pelo FX. Se você já viu Louie deve estar preparado para o humor depressivo desse piloto. Eu sou muito fã de C.K. mas Louie me entristece. Em Better Things o tom é mais leve. A diferença vem da protagonista, vivida por Pamela Adlon, que tem uma presença muito mais calma e engraçada do que a de Louis C.K. Em Better Things, C.K. faz bem em ficar fora das câmeras. Posso não gargalhar com Adlon, como acontece com os stand-ups dele, mas a melancolia que ela transmite tem um toque de simpatia, e acompanhá-la é meio como conversar com alguém um pouco desiludido e pessimista, mas sempre agradável. Adlon me convence e me diverte no papel de Sam, que cria sozinha três filhas e tenta equilibrar uma carreira decadente de atriz. A trilha sonora até agora está ótima, o próprio C.K. escreve bastante e dirigiu o piloto. Dá para sentir a voz dele por trás de muitas situações, mas eu tenho notado que quem não percebe Better Things como um projeto autoral acaba patinando um pouco no chove-não-molha das situações. Fiquei feliz pois uma segunda temporada já está garantida.

Na sequência vi The Good Place. É uma comédia com Kristen Bell e Ted Danson. Os primeiros cincos minutos do piloto pareceram os piores da minha vida de telespectadora, mas eu estava sentada confortavelmente no sofá e aguentei. Para a minha surpresa a série melhora, mas ainda assim não empolga. Kristen Bell morreu e vai parar no “good place”, o lugar reservado no além para pessoas boas com atitudes altruístas. O problema é que em vida ela não foi uma boa pessoa, e o fato de ela estar ali só comprova que Ted Danson, o responsável por selecionar só os melhores para o melhor lugar, errou feio. Agora ela precisa provar que merece estar onde está. O roteiro é muito esquematizado, e isso estraga a história. Acho que essa série tem cheiro de cancelamento. A ideia não é ruim, mas tem pinta de esquete do Porta dos Fundos: às vezes é legal, mas precisa ter menos de quatro minutos.

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Outro piloto assistido foi This is Us. A série conta a história de vários personagens que, de alguma forma, estão ligados. Se tem alguma graça, ela está em não saber que ligação é essa e como ela se dá. Digamos apenas que o Jess Mariano, aquele de Gilmore Girls, está casado com a Mandy Moore e ela está grávida de trigêmeos. Paralelamente, dois irmãos passam por alguns problemas de auto-estima, e um homem investiga o paradeiro do pai biológico, que o abandonou ainda bebê. Achei o piloto melodramático ao excesso, e larguei porque estou com a minha cota de dramalhões já bem preenchida por Grey’s Anatomy e How to get away with murder.

Designated Survivor traz o eterno Jack Bauer, só que agora ele não precisa salvar o presidente: ele é o presidente. Tudo bem, ele não é mais o Jack Bauer. Tom Kirkman é só um cara com um emprego bem sem graça no governo americano. Ele tem uma casa relativamente modesta e uma vida pacata, mas BUM: alguém explode o Capitólio, todo mundo na linha de sucessão morre e, por algum motivo que deve ser muito claro para quem entende do sistema político americano, Tom agora é o presidente. É o tipo de série que promete ação e intriga. Mas eu não acompanho nem House of Cards, por isso fiz minha obrigação e só vi o piloto.  Para quem gosta deve valer a pena. Acho que vai durar.

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Easy

Easy foi a estreia da Netflix que mais me interessou. O piloto foi ótimo, contando a história de um casal que caiu no marasmo sexual depois de alguns anos de casamento. Começou muito bem dirigido, os atores eram excelentes e toda a discussão era sutil e tratada de um ponto de vista adulto. Sabe quando o diretor é super eloquente com as imagens? Easy ao mesmo tempo não precisa mastigar as informações e nem soa pretensioso ou pedante. Estava eu feliz da vida por encontrar essa série, já comprando a ideia daquele casal e imaginando o que viria pela frente, quando descubro que cada episódio traria uma história nova com novos personagens. É a segunda vez que eu digo isso hoje: detesto esse formato. Uma pena.

Por último, uma série que para mim foi uma surpresa. Pitch é sobre uma jovem jogadora de beisebol que conseguiu a façanha de ser a primeira mulher contratada para jogar na liga principal. Na história ela vai precisar superar vários obstáculos apenas por ser mulher. Não quero nem me empolgar muito para não me decepcionar depois. Só vi dois episódios, mas até agora estou adorando Ginny, a protagonista. Já tem um shipp rolando e tudo.

Também vi outros pilotos: Bull, Falling Water, Speechless e The Exorcist. Mas, confie em mim, eles não merecem nem um parágrafo aqui. Felizmente, esse outono americano ainda tem umas promessas. Estou bem curiosa para ver Crisis in Six Scenes, a anunciada série de Woody Allen com Milley Cyrus, e aquela Westworld, que é da HBO e tem Rodrigo Santoro. Além disso, Masterchef: Profissionais começou nessa semana e a Paola Carosella já teve que enquadrar meio mundo. Quando eu conseguir marcar tudo como visto, meu prêmio vai ser uma badge do Banco de Séries. Viu como vale a pena?

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