Um ano de blog e um filme especial

dirty-dancing

Hoje o Ninguém deixa Baby de lado está fazendo um ano. Vou comemorar assistindo a um filme que eu vi mais de quinze vezes (eu o guardo decupado na minha cabeça), que inspirou o título desse blog, e que eu pretendo continuar assistindo todo ano, pelo menos uma vez por semestre. É claro que eu tô falando de Dirty Dancing.

Acho que todo mundo vai se esquecendo de como era na infância. A gente se lembra de coisas marcantes e pontos específicos, mas nunca de tudo. Às vezes bate a vontade de saber como era de verdade aquela época, de reviver um mesmo momento só mais um pouquinho. O passado é só seu, mas quando você puxa a memória tudo é um bolo só: pai e mãe, irmãos, amigos, paixonites. E aí você escuta uma música dos Hanson ou dos Backstreet Boys e você quase consegue reviver um dia inteiro ou  boa parte de um dia. Parece que o único jeito de conseguir se conectar com o passado é através de uma música, de um filme, cheiro ou sabor (até que há bastantes formas, não?). Principalmente se você não sente ou vê aquilo há muito tempo, é nessa hora que a conexão é mais rápida ainda.

tumblr_n3p67h9wdr1tn493yo1_500

Dirty Dancing faz isso comigo. O único jeito de eu conseguir me transportar para um fim de tarde num dia exato do fim dos anos 90 é vendo esse filme. Eu sinto o gosto do Guaraná Antarctica que eu tomei, sinto o cheiro de bolo que a minha mãe sempre fez. Eu sinto tudo de novo. É aquele lugar-comum: o adulto quer voltar para uma época em que tudo era bom e não havia preocupação.

Acho que esse sentimento especial todo mundo tem, e não precisa ter um filme no meio. E também acho que não existe argumento de qualidade que consiga lutar contra isso. Tenho certeza de que, se na minha infância eu não tivesse visto nenhum filme na Sessão da Tarde e hoje eu esbarrasse em Dirty Dancing, eu teria encontrado só mais um filme esquecível. Ainda bem que eu o vi lá atrás, em uma tarde bem preguiçosa, que ficou como símbolo de todas as tardes preguiçosas que eu passei. E olha que foram muitas.

tumblr_nll64iegv01qlxz9yo1_540

Baby e Johnny Castle são personagens que poderiam estar em muitos livros que eu leio hoje em dia, e a história dos dois me lembra de muitas que eu já li. Ela é a menina rica que vai passar as férias com o pai, que é um médico de sucesso, a mãe, que é a Emily de Gilmore Girls, e a irmã, que é uma  mimada, em um resort. O  filme saiu em 1987, mas a história se passa no verão de 1963, como a Baby diz “antes dos Beatles aparecerem e de Kennedy morrer”. O resort onde o filme inteiro acontece reflete o momento do país que está no limiar de uma ruptura. A década de sessenta funciona como um muro dividindo o conservadorismo de antes com o início da liberdade tão propagada no fim década, nos anos setenta e daí por diante. O resort Kellerman’s ainda vive de acordo com as regras de uma elite antiga e conservadora. Os empregados estão ali para divertir seus clientes ricos. Há garçons, cozinheiros, músicos e dançarinos. Nas horas vagas eles se expressam com ritmos sensuais e que apelam à liberdade. Na hora do trabalho, e na frente dos hóspedes, eles não podem ir além de passinhos comportados de foxtrote.

Johnny Castle é o principal dançarino do lugar. Baby é uma menina inocente com um futuro perfeito pela frente. Johnny despreza pessoas como Baby que não precisam lutar por nada na vida. Baby vai ensinar para ele que ela é mais do que uma menina rica com cara de doente. Na cena clássica do fim do filme os empregados finalmente dançam o que eles querem dançar e os hóspedes acabam entrando no clima, numa clara referência ao que se pensava ser o fim de uma era tanto ali no resort quanto no país.

Mas quando eu vi o filme pela primeira vez não me importava nada disso. A única coisa que eu enxerguei foi o amor da Baby pelo Johnny. Na segunda vez eu percebi o quanto ela se doou para ele, e achei lindo. Baby é uma personagem de hoje em dia, uma figura rara no cinema comercial da década de 1980. Ela é forte mas não sabe disso, e faz o que tem que fazer sem se preocupar com convenções. Johnny é o mocinho que é usado por mulheres ricas. Ele é bonito e bondoso, mas é estereotipado e injustiçado. Os dois precisam se libertar de certas coisas e através de uma história fofinha, e com muita dança e música, eles conseguem.

tumblr_nkx8cjlmvi1r1d4seo1_500

Mas e a melhor cena? E o título do blog? Quando Baby está sentada num cantinho, à mesa com os pais, entediada e frustrada ao assistir a uma apresentação que encerraria as férias com as mesmas músicas e danças de todos os anos anteriores, toda cabisbaixa, e achando que nenhum de seus esforços valeu a pena, Johnny surge de jaqueta de couro e topete e diz para o pai dela: “nobody puts Baby in the corner”. Ele a puxa e eles sobem ao palco para apresentar a dança que ensaiaram por dias. A frase é apenas uma frase, mas pode funcionar como um mantra entre muitos que existem por aí. Ninguém vai me deixar de canto. Ninguém vai me deixar num canto. Ninguém vai me deixar de lado. Tipo isso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s