Depois da última dança

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Terminada a leitura de Depois da última dança, meu pensamento foi o seguinte: por que eu demoro tanto a começar livros como este? A resposta é simples. Eu gosto muito de romances que se passam nas décadas de 1940 ou 1950. Consigo lembrar de vários que favoritei ou que me marcaram, mas sempre me enrolo para lê-los. É que quando eu penso na quantidade de sofrimento que essas protagonistas terão que suportar eu vou lá e adio mais um pouquinho, sempre com a ideia de que hoje não é um bom dia para sofrer tanto com uma leitura. Para minha sorte, eu comecei Depois da última dança sem saber do que ele tratava. Aliás, eu me contentei em saber que o livro era de Sarra Manning, fechei os olhos e me deixei levar.

Minhas experiências de leitura com os livros de Manning vão de “amei muito, muito mesmo” a “chega, já posso abandonar aqui na página dez”. A parte boa disso é que  ela se aventura em gêneros bem diferentes, então sempre sinto que posso encontrar uma surpresa. A estrutura de Depois da última dança lembra a de alguns livros da Jojo Moyes. Posso dizer que se você gostou, por exemplo, de A garota que você deixou para trás, o novo de Manning foi feito para você.

Já na abertura do livro a autora explica que, desde que ouviu falar do Rainbow Corner, ela sabia que escreveria um livro a respeito desse lugar e de sua importância histórica. Eu dei um google e descobri que o Rainbow Corner foi uma espécie de clube (salão de dança, digamos) que existiu durante a segunda guerra, para os soldados americanos se divertirem em seus dias e noites de folga em Londres. A imagem que  Sarra Manning nos passa é a de um lugar com uma energia vibrante, onde os jovens se divertem, tomam coca-cola e comem donuts. Um lugar que os permite esquecer, ainda que por alguns momentos, que estão vivendo as dificuldades de uma guerra.

Já pensando nas aventuras do Rainbow Corner, Rose chega a Londres em 1942. Depois de fugir de casa tudo o que ela quer é estar ali. Claro que no meio do caminho ela vai passar por maus bocados. Isso fica evidente assim que ela chega na cidade, com apenas dezessete anos, e é recebida na estação de trem por dois soldados americanos que a levam direto para o lugar que ela quer conhecer. Calma, não vou dar nenhum spoiler, mas adianto que o suspense é bem enlouquecedor. Ela se apaixona, faz amizades leais, se diverte muito no Rainbow Corner, sofre algumas desilusões e perdas, amadurece. Os capítulos dela são os melhores. Numa espécie de história interligada, os outros capítulos se concentram em Jane e Leo. Eles se conhecem nos dias atuais (não parece um livro da Jojo Moyes?), e são duas pessoas opostas em tudo. Leo é um cara que gasta seus dias sem se preocupar com nada, cheirando cocaína e bebendo muito. Jane passou por situações muito difíceis quando era jovem, e por isso ela já planejou bem a vida: quer casar com alguém que não a faça mal e que tenha uma boa vida financeira. Depois de três anos namorando ela achou que tinha conseguido tudo o que planejou, mas seus planos vão pelo ralo quando o noivo fica sem dinheiro. Vestida de noiva em um bar de Las Vegas ela conhece Leo, e de repente os dois estão mais ligados do que nunca. Ele precisa de uma pessoa que dê conta de sua fragilidade, e que o tire de uma inércia paralisante, mas Jane parece ser a pessoa mais sem coração do mundo. Será que um vai conseguir ajudar o outro?

Claro que a história dos dois vai ter conexão com a de Rose, mas contar mais do que isso é estragar a surpresa da leitura. Não há grandes reviravoltas, mas mesmo assim a trama me surpreendeu em alguns momentos, e por isso acho que vale a pena chegar ao livro sem saber muita coisa de antemão.

Imagino que nem todos entendam o fascínio exercido por uma história passada na década de 1940 (eu mesma tenho uma implicância com a década de 1920 e aqueles chapéus, laços e cabelinhos à altura da orelha), mas para mim os 1940 têm um magnetismo indescritível. Não importa qual seja o autor, eu sempre vou querer acompanhar a história de uma jovem vivendo em uma cidade grande enquanto tantos acontecimentos cruciais se desenrolam. Nesse sentido, a Rose de Sarra Manning foi uma ótima protagonista, mesmo que o fim não tenha me satisfeito completamente.

Foi por isso que eu não marquei Depois da última dança como favorito. Quando achei que a história se encorparia ainda mais, o livro acabou. Jane e Leo eram importantes, mas eu não me importaria em ver menos deles para ter mais de Rose e seu tempo. O par romântico de Rose, uma das questões mais importantes da trama,  infelizmente não teve o número de páginas que eu esperava. Lendo os agradecimentos vi que a editora de Manning cortou milhares de palavras do rascunho inicial. Eu quero essas páginas! Dona editora da Sarra Manning, a senhora errou muito feio.

Mesmo assim, como não indicar esse Depois da última dança? Chorei e terminei querendo que o livro tivesse o dobro do tamanho. É a mistura perfeita de tristeza e fofura.

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