Agosto pt. 2: The Night Of, O.J. Simpson, Minha Luta, Pedrazul, outras coisas menos nobres: de volta à programação normal.

Posso começar de onde parei? Não posso. Antes de entrar nas leituras do mês preciso terminar algumas coisas que eu deixei em aberto.

tumblr_obz0jxxpru1rtd4eqo2_500

Raspei o cabelo, agora sou malvadão

Nos últimos dias de julho eu falei sobre The Night Of, a série da HBO que está com final de temporada marcado para o próximo domingo. Eu disse, entre outras coisas, que o protagonista tinha uma super cara de bonzinho, e que, abre aspas para uma Talita um mês mais jovem, menos vivida e menos maltratada pela vida: “o seriado ainda não deu material suficiente para que se especule sobre os motivos do crime, ou sobre as motivações dos personagens principais, mas o pano de fundo político leva a imaginação longe”.

Pois é. Àquela altura eu tinha visto três episódios. O problema é que agora a cara de bonzinho do protagonista foi embora, porque a série decidiu que ele deveria virar meio bandidinho dentro da cadeia. Essa transição foi um pouco sem pé nem cabeça, apesar de, a princípio, fazer muito sentido. Faltando um episódio para o fim, pode ser que Naz seja o culpado e não tenha havido transformação nenhuma, ainda assim em The Night Of a sutileza é zero.  A tese é: por mais que alguém entre na cadeia como um inocente, jamais sairá de lá sem que tenha virado culpado de alguma coisa. Tudo bem, mas a gente sabe que ninguém vive de tese no mundo do entretenimento. Eu tive certa dose de razão em dizer que a cara de bonzinho não estava ali à toa, mas o que a gente conseguiu com a transformação em termos de complexidade? Bem pouquinho. A série tem roupagem e dinheiro de tevê de primeira, mas o espírito vai esbarrando mais e mais no policial rasteiro. Triste.

oj made in america

Mais triste ainda é O.J.: Made in America, um documentário em cinco partes sobre a vida, a carreira e os assassinatos de O.J. Simpson. A parte boa é que o documentário é triste, mas é excelente. No começo do ano eu vi o piloto de American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, aquela com o Cuba Gooding Jr. Fiquei com muita vontade de gostar, mas não deu. Até senti inveja de quem acompanhou com entusiasmo. A série ficcional acabou ganhando prêmios e tudo. Só que O.J.: Made in America é o melhor documentário em partes que eu já vi. Faz Making a Murderer parecer um trabalho de faculdade com cartolina e fita crepe. O seriado monta parte a parte o tamanho da relevância do caso para a questão racial norte-americana, ainda vê o crime em detalhes (sem nenhuma apelação ou queda pela morbidez) e esmiúça a personalidade de O.J. Simpson desde os tempos da faculdade até a véspera de sua prisão em 2008. No total são 450 minutos, e não dá para dizer que um deles foi mau gasto. Eu tinha até colocado um livro sobre o caso entre as minhas próximas leituras, mas acho que vou deixar para depois, tamanho o grau de complexidade dessa série documental.

Num plot twist de sangue de barata e falta de seriedade, por causa de O.J.: Made in America eu acabei revendo Corra que a polícia vem aí 33 e 1/3. Disso eu falei no texto anterior, não foi? Pois bem. Havendo tirado as séries de tevê do caminho, vamos às leituras.

Tem sido um mês de começos. O livro de agosto da meta dos 12 livros do ano é Um outro amor, o segundo volume da série Minha Luta, de Karl Ove Knausgård. Não cheguei nem na metade, mas devo terminar essa semana. Assim como todos os outros da meta de 12, vai ter resenha aqui. Posso dizer que esse segundo me animou mais do que o primeiro, mas vamos com calma. Também comecei Missoula, de Jon Krakauer, aquele livro que causou certo furor por tratar de uma onda de estupros numa cidade universitária dos Estados Unidos. Eu não pretendia escrever sobre ele, mas o livro é tão bom e tão cheio de argumentos que vai ser difícil deixar de fazê-lo.

A editora Pedrazul está tendo um 2016 espetacular, e pelo jeito eles são meio incansáveis. Eu comprei a edição deles de Esposas e Filhas, da Elizabeth Gaskell e, sério, o livro é muito lindo, rechonchudo, recheado. Quer dizer: é enorme, e eu mal comecei, pouco avancei, e ainda vai levar um tempinho. Mas a gana que eu tive para comprá-lo ainda está em mim para a hora de lê-lo. De onde estou, consigo enxergá-lo na estante e ele que me espere.

Um que eu terminei por esses dias, em ebook, foi Vocação para o mal, de Robert Galbraith, que todo mundo sabe que é a J.K. Rowling. Eu fico um pouco angustiada com isso, já que, poxa, todo mundo sabe agora. Qual é a do nome diferente? Como alguém que não andou no trem de Harry Potter a tempo mas andou um pouquinho, digo que, se Rowling estiver escrevendo romance policial sob outra alcunha com medo de arranhar sua reputação de autora milionária de série de sucesso comercial incomparável, ela pode ficar tranquila que o detetive Cormoran Strike e sua assistente Robin Ellacott – uma sidekick chamada Robin; boa sacada, hein – são dois dos melhores personagens que ela já fez. Vocação para o mal, ainda por cima, é o melhor dos três romances de Galbraith/Rowling até agora. O casal está mais shippável do que nunca (não Galbraith e Rowling, eu falo de Cormoran e Robin), os personagens parecem mais confortáveis porque já ganharam bastante estofo. Para quem chegou até aqui, Cormoran e Robin já têm vida, já dá para encarar uma situação e imaginar o que um dos dois faria diante dela. Espero que um quarto livro chegue logo, e acho que deve chegar porque, pelo jeito, J.K. Rowling não dorme.

claire contrerasFalando em ebook, eu terminei ainda Kaleidoscope Hearts, um romance new adult, de Claire Contreras, com um chove-não-molha irritante. O cara larga a moça, a moça toca a vida e fica noiva de outro, o noivo morre, aquele primeiro cara se reaproxima. Ele correndo atrás, ela se fazendo de difícil. Não posso dizer que esse livro me elevou espiritualmente, mas nada tenho a esconder, ok? Ok.

take me for grantedEm Take Me for Granted, de K.A. Linde, o bonitão é vocalista de uma banda daquelas que tocam em barzinho e em festa de universidade. Todas o amam, e ele nem aí pra ninguém, só querendo transar e passar para a próxima. Isso porque ele ainda não conheceu nossa mocinha que tem açúcar nas calcinhas. Quando ele a conhece e ela o ignora, pronto: ele se apaixona caninamente (como na frase “ficar como um cachorro atrás de alguém…”). Para falar a verdade, as situações nesse livro eram tão repetitivas que eu realmente não me lembro do que me fez terminar a leitura. Acho que não fui eu, acho que Pazuzu leu no meu lugar.

This-is-War-Baby-This is War, Baby, de K. Webster, era o que mais prometia. Começou de um jeito inusitado. A guria foi raptada pelo vizinho bonitão, com quem flertava inocentemente, e ele quase a matou. Ela ficou trancafiada num quartinho, sofreu as mais terríveis humilhações. O livro tem algumas cenas muito fortes, humilhações sexuais de revirar o estômago. Até que, claro, o mocinho aparece. Um cara obsessivo-compulsivo e germofóbico que compra a nossa protagonista num leilão (pois é, o cara malvadão raptou ela pra vender num leilão e toda a humilhação sexual grotesca era parte de um tipo de treinamento). Então, pois é, o mocinho comprou a mocinha num leilão frequentado por predadores sexuais. Ele é doido, portanto? Não. Ele é bonzinho. Ele não quer maltratá-la. Nesse ponto a história perde a graça. O começo foi bem bizarro e diferente, mas o fim trouxe a mesma coisa de sempre. Não tenho vontade de ler a continuação.

Acabei. Poxa, foi preciso recapitular tudo isso (no post anterior e neste) para conseguir perceber que eu não tinha visto ou lido nada digno de um texto inteiro. Quer dizer: na verdade todas essas coisas são dignas, sim, de um texto inteiro. Eu é que não tirei material para um texto inteiro de nada dessas coisas. Mas esse foi um formatinho muito gostoso de usar para não deixar a peteca cair. Aviso aos meus poucos e bons (e excelsos, divinos, sublimes, e TOPS!) leitores que nos próximos dias voltaremos à programação normal.

Anúncios

2 comentários sobre “Agosto pt. 2: The Night Of, O.J. Simpson, Minha Luta, Pedrazul, outras coisas menos nobres: de volta à programação normal.

  1. Anna disse:

    Tava meio indignada com os rumos de The Night Of, amei o primeiro episódio, também achei brusca a transição do Naz, apesar de achar inevitável uma mudança naquelas circunstancias, mas no fim das contas adorei o ultimo episódio… até chorei (isso pra mim é moleza)
    🙂

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s