Agosto pt. 1: As Olimpíadas, Gilmore Girls, Masterchef, tumor, falta de oxigênio no cérebro, medalha de chocolate

 

julia valentin coração

Para uma pessoa que inventou um tumor no joelho para escapar das aulas de educação física, até que eu estou curtindo as Olimpíadas. Não dá para dizer isso e sair correndo, né? A mentira durou poucas horas, só até a professora ir consolar a minha mãe e sair pensando que eu era o Macaulay Culkin em O Anjo Malvado. Mas a parte importante é a das Olimpíadas. Nesse último mês eu peguei a febre olímpica, e troquei os filmes, séries e livros habituais por uma maratona de esportes para os quais eu não dava a menor atenção até o mês passado.

O resultado disso foi esse meu afastamento do blog. O último texto foi bem no comecinho de agosto. Eu não só estou sentindo falta do meu ritmo atual de entretenimento, como senti saudade de vir aqui escrever. Assim, estou agora com uma aba aberta no Filmow, uma no Skoob e outra no Banco de Séries, para fazer um apanhado daquilo que li e vi, entre um esporte e outro. Poucas coisas são mais legais do que ver uma pessoa levantar três vezes o próprio peso e depois passar meio mal por falta de oxigênio no cérebro, mas a verdade é que agosto me trouxe entretenimento tão bom quanto isso. Mesmo que em menor quantidade.

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Crédito: @ArcadianWalnut

Desde o começo de julho venho revendo Gilmore Girls. Nem me sinto à vontade para falar em maratona quando vejo, se tanto, um episódio por dia. O Felipe, que é um rapaz que mora comigo e que vem a ser meu marido, acompanhou a primeira temporada de rabo de olho e me encheu a paciência tentando me fazer pegar pavor da Lorelai (Lorelai, a mãe). Ele não conseguiu porque as Gilmore são minhas velhas conhecidas, mas não dá para dizer que ele não maculou (bem pouquinho) essa relação antiga. Pelo menos nas duas primeiras temporadas, Lorelai é um pouco insuportável. Ela não para de falar, não demonstra o menor interesse em nada que não seja o próprio umbigo e, em menor grau, o da filha. O que mais me chamou a atenção foi o quanto ela não presta a menor atenção em Sookie, a melhor amiga vivida por Melissa McCarthy. Tem um episódio em particular, em que Sookie consegue ingressos para um show e convida as Gilmore. Daí Lorelai, sem nem consultar a amiga dona dos ingressos, os oferece às amigas da filha. O resultado: Sookie e Lorelai vão ao show, mas ficam em péssimos lugares. E não tem conversa sobre essa decisão: ela simplesmente decide pela amiga, dá o que não lhe pertence, e pronto. Ah, se fosse comigo.

Ainda por cima, Lorelai nunca ouve. Enquanto qualquer um está falando, é possível ver na cara dela a próxima piadinha chegando. Esses diálogos espertinhos são um ponto alto da série, mas não dá para negar que, se fosse alguém do meu círculo, Lorelai seria um pesadelo. Além do mais, pobre Max Medina. Se você não viu, cuidado com o spoiler. Ele tentou falar sério, quis que ela fosse sincera (“Eu estou achando que a sua hesitação em me dar as chaves é um sinal de que você não está muito à vontade com a ideia do casamento”), mas tudo o que ela conseguiu foi desperdiçar qualquer oportunidade de falar sério, cancelar o casamento às pressas e fugir, como se tivesse a mesma idade da filha. Triste.

Isso deixa a série pior? Claro que não. Televisão normalmente envelhece mal, mas em muitos aspectos Gilmore Girls parece mais algo de 2015 do que uma produção de 2000. Até vi um post no tumblr esses dias que falava da multiplicidade das mulheres do seriado. Não são apenas fortes: são mulheres de todos os tipos. Há quem esteja desesperada para ter um relacionamento e há quem preze a autonomia, cada uma lida com seus problemas de um jeito distinto, e o seriado faz um esforço louvável para não repetir motivos e situações batidas. Independência, coragem, autoconfiança, sensibilidade: as Gilmore tentam resolver as coisas usando meios que não são os de todo dia na televisão. Como disse uma das irmãs Wachowski: uma mulher forte não precisa necessariamente usar os métodos usuais do mundo dos homens, tipo confronto, tiro, porrada, bomba. Mas Gilmore Girls ainda vai render muito assunto em 2016, já que em novembro as Lorelais vão aparecer em temporada especial na Netflix.

léo masterchef

Leo rainha, as outras nadinha

Uma coisa que eu venho acompanhando religiosamente: Masterchef. Fui do Time Leo desde o começo, before it was cool, antes de virar modinha, antes de os outros participantes isolarem-no a ponto de ele virar o preferido do público. Nunca tinha falado de Masterchef aqui, não é? O único reality sobre o qual falei foi RuPaul’s Drag Race. Acho que Masterchef é um triunfo. Eu não conheço a programação da Band de cabo a rabo, mas tenho certeza de que, se Masterchef passasse na Globo, teríamos umas intervenções dispersas e inúteis de umas celebridades de segunda linha, certamente uma pontinha da Claudia Leite, algumas histórias de sofrimento e superação, votação do público, essas coisas. Na Band, o orçamento pequeno até faz bem. Por causa dele, Masterchef só pretende ser o que é: um reality de competição em que as pessoas cozinham a caminho da glória. Muitos dizem que Ana Paula Padrão é dispensável, mas eu discordo. Acho que todo agrupamento humano precisa daquela pessoa que está disposta a quebrar o gelo mesmo que para isso desperte constrangimento de cinco em cinco segundos. Para quem não acompanhou o programa que passa todas as terças, vale dizer que ele se segura bem quando não é assistido no dia da transmissão. Eu mesma vi tudo pelo Youtube. Essa é outra coisa que a Globo jamais faria. Horas depois do episódio, toda quarta, alguém da Band vai lá e sobe o episódio completo para o canal da emissora no Youtube.

Que mais? Ah, o texto já ficou muito grande. Eu revi Psicose, do Alfred Hitchcock, e poxa, acho que esse filme além de ainda ser assustador não tem defeito e que todas as coisas que ele queria fazer são objetivos dos filmes do gênero ainda hoje, décadas depois. O Norman Bates interpretado por Anthony Perkins é um modelo para tanta gente fazendo papel de maluca que eu nem saberia dizer se aquilo é influência pura ou se o personagem entrou para o vocabulário geral e aquele tipo nem pertence mais ao filme. Eu vi também Um Alguém Apaixonado, um dos últimos filmes do Abbas Kiarostami, e foi apenas o segundo filme que eu vi do diretor. Esse se passa no Japão e trata de um dia na vida de uma prostituta solitária e desiludida que encontra um velhinho solitário e gentil. O filme não é exatamente enternecedor, pois é bem pouco sentimental, mas é lindamente filmado. O rapaz que é meu marido me fez ver Independence Day, o de 1996, e depois a sequência que saiu agora há uns meses. Vocês com certeza já viram filmes horrorosos em ótima companhia e sabem do que eu falo quando falo que eu ri demais com a falta de sentido de tudo. No embalo, ainda revimos Corra que a polícia vem aí 33 e 1/3.

Ah, o texto agora ficou oficialmente grande para o que eu pretendia. Eu volto em breve para falar das leituras. E ah, eu juro que estou desde a segunda série sem inventar sequer uma mentira assim leviana sobre uma coisa tão séria quanto um tumor. E é isso. Medalha boa é a de chocolate.

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5 comentários sobre “Agosto pt. 1: As Olimpíadas, Gilmore Girls, Masterchef, tumor, falta de oxigênio no cérebro, medalha de chocolate

  1. EDNILSON disse:

    Falando em Gilmore girls, tenho que dizer que uma série que conta a história de mulheres fortes a sua maneira sem fazer disso o foco e consegue conquistar a atenção e a admiração do público masculino tem com certeza muitos méritos, eu tinha visto um ou outro episódio no sbt a vários anos e lembrava de ter deixado uma boa impressão em mim, então desde julho estou degustando com moderação essa série incrível já rumo a quinta temporada, aliás ultimamente tenho tentado descobrir séries de um passado não tão distante e que por algum motivo passaram batidas na minha vida, por exemplo Felicity,Freaks and Geeks,Seinfeld e ainda quero encontrar O Quinteto… Parabéns pelo ótimo post!

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  2. Give Me a Book disse:

    Resumão kkkk Mas li até o final! Gostei da sua observação de Gilmore Girls. Realmente, parando pra avaliar, a Lorelai seria uma companhia insuportável, mas não tem como não amar a série! To viciada e ansiosa pela nova temporada! MasterChef é muito bom, apesar da Ana Paula me irritar ao extremo. Realmente se fosse na Globo, perderia a essência! É finalmente, sobre Psicose, vi pela primeira vez no último mês pois queria entender melhor o Normam Bates, já que To assistindo Bates Motel. Na verdade achei o filme até engraçado pq fiquei observando os efeitos da época, bem falsos por sinal kkkkk.

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