Corte de Espinhos e Rosas

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Venusaur só está aqui de enfeite. Nada de Pokémon na história 

Conheci a Sarah J. Maas com a série Trono de Vidro, e fui fisgada para dentro desse mundo da Celaena. Vi muita gente falando sobre o feminismo nos livros desta série, concordo com isso e acho um ponto positivo, mas o que mais me encantou mesmo foi como a autora conseguiu fazer uma protagonista incomum. Nem estou falando de força, mas sim de excentricidades. Chega a ser insólito, e isso é muito bom. Afinal, Trono de Vidro é para o público jovem.

Acho que eu já falei aqui em algum texto sobre como me encanta quando um autor consegue deixar sua marca, mesmo quando o livro tem um público circunscrito e um tipo comercial bem definido e às vezes engessado, como é o caso, na minha opinião, dos livros para jovens. Eu senti esse encanto com a Jenny Han e a Rainbow Rowell. Ao mesmo tempo em que produzem literatura de um gênero muito bem estabelecido, elas vão trabalhando para alargar os horizontes dele. Para mim, a mesma coisa acontece com a Sarah J. Maas. Os relatos de Trono de Vidro são uma mistura de vários gêneros, com uma personagem tão diferente que me faz pensar que o livro está além do gênero YA.

Por isso fui com muita expectativa ler Corte de Espinhos e Rosas. O livro é sobre uma menina que já foi rica, mas vive na pobreza com o pai e as duas irmãs. Para a família sobreviver, ela precisa caçar, afinal, são tempos difíceis. Feyre caça um lobo muito maior que o normal, e claro, ela descobre da pior forma que o que ela caçou não era apenas um simples lobo, mas um ser incomum. Para pagar sua dívida, ela é levada para a Corte Feérica por Tamlin, o Grão-Feérico da Primavera.

Eu esperava uma protagonista com personalidade forte, mas também meio bizarra – e eu adoro os bizarrinhos – mas Feyre, a mocinha, não tem nada de bizarra. Ela é uma menina dos livros de hoje em dia, de personalidade forte e totalmente destemida. No começo isso não me empolgou muito, achei que podia ser mais do mesmo. Com o desenrolar da história, ela ganhou minha simpatia, mas acho que o ponto alto fica por conta de Tamlin, o mocinho. Tamlin é o protagonista forte e poderoso, que alia um bom coração a uma alma perturbada. Uma coisa meio Heathcliff e sr. Rochester. Aliás, a história tem muito o ar sombrio de alguns livros góticos que influenciaram as irmãs Bronte, e isso acaba sendo um contraponto interessante ao que se poderia imaginar vir de um livro repleto de fadas. 

Não sou muito chegada em histórias de fadas, mas esta aqui está impecável. Sarah J. Maas não nos joga vários personagens desinteressantes só para tentar fazer um universo de fantasia “rico”. Ela consegue se virar com poucos tipos, porque todos são cativantes. O mundo de magia é abundante, e a gente vai descobrindo tudo junto com a Feyre, bem aos poucos. A trama não é confusa, a autora passa a primeira metade do livro situando o leitor ao delinear muito bem as personalidades de seus personagens. Nada de chato ou excessivamente explicativo. Feyre e Tamlin vão se apaixonando aos poucos, e é muito bonito de ver. Quando o leitor percebe, já está se importando com os dois.

E aí vem o segundo momento da história: o grande dilema de Feyre. Tamlin está em apuros e ela precisa ajudá-lo. Aqui o livro toma a cara da Sarah J. Maas que a gente já conhece, e, com criatividade, o diferente surge. Em alguns livros de fantasia e sobrenaturais, essa hora de resolver o grande problema acaba virando um momento confuso, com muita ação, desordem e caos, como se o autor quisesse desviar nossa atenção do que interessa para não percebermos que ele não sabe o que está fazendo. Aqui, a autora situa o leitor como se ele estivesse lá, vivendo o instante. Ou seja: ela entrega o que promete. 

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Mas se você está pensando que este livro pode ser muito água com açúcar já que boa parte da trama gira em torno de um romance, eu posso garantir que o final de Corte de Espinhos e Rosas vai fazer tudo valer a pena. Temos aqui uma protagonista absolutamente feminista e independente, e ela precisa salvar um mocinho que não tem nada de sonso, mas que precisa, sim, ser salvo. E só ela poderá fazê-lo. Feyre é forte e destemida, mas muito simpática e nem um pouco entediante. Ela sofre, mas a autopiedade passa longe. Como recurso, isso é bom, pois faz a história andar sempre para a frente.

Ah! Esqueci de mencionar um outro personagem: Rhysand, o Grão-Feérico da Corte Noturna, que pelo jeito vai ser a terceira ponta de um triângulo amoroso na sequência da série. Só essa perspectiva já me deixa ansiosa pela continuação.

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2 comentários sobre “Corte de Espinhos e Rosas

  1. Carol disse:

    Gostei tanto desse livro da Sarah, será que ela vai se aprofundar nisso de triangulo amoroso nessa série? Eu gostei do Rhys, mas não queria não… A série Trono de Vidro já me ensinou que não posso shippar casais nos livros da autora!
    Beleza Cruel, da Rosamund Hodge, também é uma adaptação y.a. do conto da Bela e a Fera, acabei de ler, ele divide opiniões, mas eu achei bem legal!
    🙂

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    • talitatl disse:

      Oi, Carol! Eu acho que dessa vez o triângulo amoroso vai ser mais fraco, acho que o Tamlin não vai ter concorrência de verdade. Eu espero 🙂

      Não conhecia esse livro, Beleza Cruel. Vou dar uma olhada 😉

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