Mistress America

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Mistress America é o novo filme da dupla (acho que já posso chamar assim, em Frances Ha ele dirigiu e ela atuou) Greta Gerwig e Noah Baumbach. Mas eles são mais que uma dupla, são um casal de verdade. Pois é, descobri esses dias, e na verdade essa informação não quer dizer nada, mas como adoro descobrir que atores, diretores e quaisquer dois que trabalharam juntos tiveram um romance, essa notícia me alegrou. Vai entender, né? É a minha vontade de shippar.

Mas o assunto aqui é o filme: Mistress America conta a história de Tracy – interpretada pela novinha Lola Kirke –, que acaba de chegar em Nova Iorque para estudar numa universidade e se sente sozinha quando percebe que as coisas na cidade grande não são exatamente como ela imaginava. Ela faz só um amigo no primeiro semestre inteiro, e quer ser escritora. Quase que alheia a isso, a mãe de Tracy vai se casar pela segunda vez, e numa tentativa de integrar as famílias do noivo e da noiva, sugere que a filha faça contato com a nova “irmã”, que também mora em Nova Iorque. A partir daí surge Greta Gerwig como Brooke, a mulher de 30 anos, a irmã postiça, que, num mundo todo oposto ao de Tracy, parece viver em uma Nova Iorque fascinante, com muitos amigos.

Acho que dá pra dividir o filme em dois atos e epílogo. Sem muita enrolação, na primeira parte acontece a apresentação das “irmãs”; Tracy vai conhecendo o mundo de Brooke e também percebendo que Brooke é alguém totalmente fora da realidade, presa em sonhos praticamente impossíveis, vivendo de projeto em projeto sem se prender em nada, apenas esperando por algo grande que pode estar por vir.

Um desses projetos nos leva ao segundo ato, em que o filme parece se transformar  em uma comédia de erros. Aqui o tom muda, e surgem outros personagens. Brooke precisa de dinheiro para uma de suas ideias mirabolantes – um restaurante que tem tudo para dar errado – e Tracy, entre influenciada e fascinada pela “irmã” mais velha, bota pilha para elas visitarem um casal de ex-amigos de Brooke. Eles são muito ricos e meio que devem dinheiro à Brooke, e o restaurante não vai sair do papel sem um novo investidor. Tracy então pede carona àquele único amigo que conseguiu na universidade, Tony, e ele a tiracolo traz sua namorada, a ciumenta Nicolette (uma das personagens mais engraçadas dessa segunda parte). Brooke, acompanhada de todo esse pessoal, vai bater à porta de Dylan e Mamie-Claire – nomes muito apropriados para um casal jovem e bizarro.

A princípio, se você ainda está no clima da primeira parte, pode ficar com a impressão de que o filme desanda, mas para mim é nessa hora que ele encaixa perfeitamente. É justo essa mudança de tom que destaca Mistress America entre os muitos filmes indies que tratam do mesmo assunto: a crise dos 30 anos. Quando Tracy, Brooke e companhia estão na casa de Dylan e Mamie-Claire, o filme esbarra no absurdo, e é justo nesse encontro que ele mais consegue discutir o seu tema. Acho que, se essa parte fosse séria e mantivesse uma pegada realista, o tema teria me cansado e tudo poderia acabar pretensioso e chato. Por sorte, acontece justo o contrário: as situações são hilárias, mas o foco na matéria principal do filme não se perde.

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Mistress America é mais do que engraçadinho. É a história de Brooke, que como a maioria dos jovens (pessoas de 30 anos são jovens?) está perdida entre tantas opções e não sabe o que quer fazer, tentando sair da areia movediça que são a internet e a vida que se leva através dela. É também a história de Tracy, que em Nova Iorque vai perceber que a cidade pode ser o que ela quiser mas não necessariamente o que ela idealizou. O filme discute tudo isso, sim. Mas ele quer ser mais, ele quer ser um filme mesmo. O diretor Noah Baumbach não dá apenas as ideias e pronto, como se num comercial de tevê. Ele se preocupou em filmar uma obra com certos elementos cinematográficos que transcendem o gênero, vide todo o segundo ato, que eu chamei de comédia de erros. 

Bom, faltou falar do epílogo. Aí tem que assistir para saber o que acontece. Essa é a hora em que o filme expõe suas ideias. Posso dizer que vale a pena. 

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