Redoma

redoma

Redoma, da Meg Wolitzer, é um daqueles livros com capas maravilhosas. Só de bater o olho eu já sabia que o leria. Fui ver do que se tratava, e só melhorou: o livro tem como inspiração A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath, que eu li algumas vezes; li também os poemas e os diários dela (da Sylvia Plath). Mas afinal, o que é que Redoma conta? 

É um romance sobre uma menina que, após um trauma, se muda para um internato especialmente concebido para pessoas que passaram por algum tipo de abalo como o dela. Lá, ela é selecionada para participar de uma turma com apenas outros quatro alunos. A classe só tem duas incumbências: ler um autor – e, adivinha, a autora da vez é Sylvia Plath – e manter um diário sobre o trauma ou qualquer outra coisa. Fiquei muito empolgada em saber que alguém tinha escrito uma história com muitas referências a uma obra que eu guardo no coração. Podia ser muito bom, mas este foi o primeiro problema. Acho que qualquer leitor sabe que é péssimo ler com muita expectativa. 

Quando isso acontece eu quase sempre me frustro. Como se não bastasse, logo no começo eu senti outro pesadelo de alguns leitores muito empolgados: aquela sensação de que o livro que eu tenho em mãos não é para mim. Isso é desastroso, mas ficou pior ainda. A cada página eu sentia que Redoma era um despropósito total. Passava pela minha cabeça que quem leu A Redoma de Vidro e conheceu um pouquinho da vida de sua autora iria saber que Redoma não está à altura do que diz tentar fazer, e que Meg Wolitzer não conseguiu dialogar com a Sylvia Plath.

Então eu pausei a leitura e refleti um pouco (que sábia, não? haha), e percebi que o livro não era tão ruim. Eu é que estava bancando a fangirl e odiando o que não me descia bem. Redoma não é para mim. É para uma menina ou menino adolescente que não leu Sylvia Plath e que, através desse livro, talvez fique empolgado o suficiente para ir atrás dos poemas e do romance de Sylvia. 

Mas preciso esclarecer uma coisa. Eu leio muito livro pro qual não sou a leitora ideal. A adolescente dentro de mim vira e mexe toma conta de tudo e domina os meus gostos. Mas nesse caso, Redoma simplesmente não era para mim. Tive que me livrar desse peso (e desse ódio) para conseguir terminar o livro. Com isso na cabeça, a coisa até que melhorou. Assim que eu me desliguei de Sylvia Plath, eu consegui aproveitar um pouco a leitura.

Coisas estranhas começam a acontecer cada vez que a protagonista escreve em seu diário, e aí o romance ganha um tom de realismo fantástico. Escrever é reviver e, ao reviver, acontece um tipo de cura. O conceito foi bem interessante, acabou salvando minha experiência, e com este recurso a Meg Wolitzer conseguiu usar uma metáfora com aquela ideia de que escrever é terapêutico. Isso foi o que eu mais gostei do livro, mas nem o fim com uma pequena reviravolta me causou um grande impacto. 

Se a possibilidade que eu criei na minha cabeça fosse outra, a leitura poderia ter sido melhor, mas mesmo assim suspeito que Redoma não seja nada de extraordinário. Consegui, porém, tirar uma lição: tenho que diminuir a minha expectativa, principalmente se o livro for para o público adolescente e a história for contemporânea. Não estou ficando mais nova. 

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